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Reposição hormonal x Câncer

A reposição hormonal durante muito tempo foi vista como grande aliada na prevenção de doenças, inclusive cardiovasculares e algumas neoplásicas. Além disso, sempre foi indicada para minimizar os principais sintomas da menopausa e auxiliar em casos de alterações comportamentais, depressão e osteoporose.

Entretanto, novos estudos indicam um aumento no risco de câncer entre as mulheres que usam hormônios. Mas, o que realmente é verdade neste caso? O médico oncologista Dr. Ellias Magalhães da Oncomed – Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas respondeu para a Revista Pilates as principais dúvidas sobre o assunto. Confira:

É verdade que a reposição hormonal aumenta os riscos de se contrair câncer? Por quê?

A terapia de reposição hormonal (TRH), amplamente utilizada até alguns anos atrás, pode levar ao aparecimento de alguns tipos de câncer, particularmente de mama e endométrio. Em virtude destas evidências, seu uso tem se restringido a alguns casos específicos. Em relação ao câncer de mama, há evidências consistentes que a utilização da TRH combinada (estrogênio e progesterona) pode aumentar aproximadamente em 24% as chances de desenvolver a doença.

Quais os tipos mais comuns de tumores que podem surgir em decorrência da reposição hormonal e por quê?

Os tumores atribuídos ao uso prolongado de terapia de reposição hormonal são os de mama e endométrio. Nestes órgãos as células normais apresentam sensibilidade elevada à ação dos hormônios femininos (estrogênio e progesterona), muito maior que células de outros tecidos e órgãos do organismo. Durante toda a idade fértil a mulher é exposta à ação destes hormônios, em concentrações variáveis ao longo de cada ciclo menstrual, como parte de processo fisiológico, que garante o desenvolvimento das características sexuais femininas na adolescência e mantém a fertilidade na idade adulta.

É verdade que mulheres que tomam hormônios há mais de cinco anos têm maior chance de desenvolver a doença?

O risco de desenvolvimento do câncer de mama e endométrio em vigência de TRH eleva com o aumento da dose e do tempo de exposição. De forma similar, mulheres que são expostas à TRH mais velhas (após os 60 ou 10 anos após a menopausa) possuem um risco ainda mais alto de desenvolver problemas relacionados à terapia. Sendo assim, essa prática é recomendada apenas para mulheres antes dos 60 anos, com menos de 10 anos da última menstruação, e por até no máximo 5 anos de duração. Em mulheres com histórico pessoal ou familiar de neoplasias de mama e endométrio ou de doenças tromboembólicas (derrame, embolia pulmonar, trombose) os benefícios da exposição devem ser balanceados com os riscos. Há evidências que a manutenção deste tratamento além dos 5 anos aumenta consideravelmente as chances de efeitos indesejáveis.

Se a mulher parar de tomar hormônio as chances de se contrair um câncer diminuem?

Estudos clínicos que avaliam o risco de câncer em mulheres que usaram TRH no passado estão em andamento. Entretanto, há evidências mostrando que após 5 anos de interrupção da terapia hormonal os riscos de desenvolver um câncer reduz progressivamente para o patamar de uma mulher não exposta a esta terapia.

Quais os principais prós e contras da terapia de reposição hormonal?

A terapia de reposição hormonal é uma alternativa eficaz no controle de alguns sintomas da menopausa, notadamente fogachos e ressecamento vaginal. Atualmente, a indicação da TRH se restringe a mulheres com menos de 60 anos e com menos de 10 anos da última menstruação, com sintomas moderados a graves relacionados a fogachos e ressecamento vaginal, sem história familiar ou pessoal positiva para doenças tromboembólicas /cardiovasculares ou neoplásicas (câncer de mama e endométrio). A TRH mostrou ser efetiva na diminuição do risco de eventos cardíacos (infarto), assim como redução dos casos de fraturas relacionadas à osteoporose e melhor controle do diabetes. Os principais malefícios da terapia de reposição hormonal são o aumento de eventos tromboembólicos / cardiovasculares (trombose, embolia, derrame), de câncer de mama e endométrio e colecistite (inflamação da vesícula biliar).

Quando é indicada a terapia de reposição hormonal?

A TRH deve ser indicada em mulheres abaixo dos 60 anos, com menos de 10 anos da última menstruação, para tratamento de sintomas relacionados à menopausa, notadamente fogachos e ressecamento vaginal. Ele deve ser feito de forma combinada (estrogênio + progesterona) na mulher não-histerectomizada (que tem o útero), e de forma isolada (estrogênio) em mulheres histerectomizadas (que fizeram cirurgia para a retirada do útero). Mulheres com histórico pessoal ou familiar de câncer de mama, endométrio ou de doenças tromboembólicas / cardiovasculares devem preferencialmente não receber a TRH.

Quais os principais riscos da reposição?

A TRH aumenta as chances de desenvolver câncer de mama e endométrio, eventos tromboembólicos (trombose e embolia), isquemia cerebral (derrame) e colecistite (inflamação da vesícula biliar). Este risco aumenta com a dose, o tempo de exposição e quanto mais velha for a paciente.

Mulheres que já tiveram câncer podem fazer uso da terapia de reposição hormonal?

Mulheres que já tiveram câncer de mama e endométrio não devem realizar terapia de reposição hormonal, pelo risco de recorrência da doença ou desenvolvimento de novo tumor. Pacientes que tiveram outros tipos de cânceres não têm qualquer contra-indicação ao uso da terapia, mas deve-se obedecer a suas reais indicações.

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