Relato: Treinamento funcional associado ao método Pilates II

Confira a parte I deste artigo aqui.

Difundidas como terapias alternativas no tratamento da DP, a Fisioterapia, a Fonoaudiologia, a Educação e o Treinamento Físico, demonstraram bons resultados na recuperação e manutenção física, na qualidade de vida e na socialização dos indivíduos acometidos por esta doença (3-6). O método Pilates, mesmo que ainda incipiente cientificamente, trabalha com movimentos controlados, ajuda a proporcionar força, flexibilidade, controle postural, consciência e percepção do movimento.  Tem sido utilizado com frequência, tem apresentado registros pessoais e de profissionais da saúde nos mais variados meios de divulgação como uma técnica adequada ao parkinsoniano (7-9).

Lamentavelmente, apesar do aumento do número de praticantes, existe escassez de evidências científicas acerca dessa modalidade de treinamento, tanto com aplicação na Fisioterapia, como com abordagem cinesiológica, fisiológica e biomecânica (8). Entretanto, também não existe nada que desabone o uso.

Existem relatos da melhora dos níveis de consciência corporal e da própria coordenação motora, mas não tão evidentes e relacionados à DP. Na DP, uma das limitações observadas é a falta de coordenação motora para as atividades da vida diária, como a abertura de portas, entrando e saindo dos carros, andar a pé, situações que vem de encontro ao método de Pilates.

Os nossos resultados obtidos com a execução do TF e Pilates Solo, alternadamente com o indivíduo A.S. foram promissores, dando mostras de recuperação desde as primeiras intervenções. Os exercícios de Pilates trabalharam o equilíbrio, desafiando os músculos e o cérebro, proporcionando melhorias, primeiramente na rigidez muscular e posteriormente na flexibilidade, enquanto que a TF foi direcionada ao fortalecimento muscular na região da coluna e dos membros superiores e inferiores. A finalidade foi proporcionar confiança e controle do equilíbrio.

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Após seis meses de treinamento, estando devidamente medicado, o indivíduo apresentou recuperação de 80% do equilíbrio, deambulação em passadas normais, com ou sem o uso da bengala, sair à rua e dormir sozinho.  Não acusou mais pesadelos e dorme sem a necessidade de acompanhante.

Socialmente houve uma visível melhoria no humor e na convivência social, possivelmente movidos pela recuperação de alguns movimentos de motricidade fina, como escrever, amarrar os tênis e escovar os dentes, que foram relativamente recuperados (voltou a assinar o nome). Também referiu maior conforto para as necessidades fisiológicas (sentar e levantar do vaso).

Na literatura ainda não existem investigações com um follow-up e dados estatísticos adequados que comprovem especificamente a melhora motora do indivíduo num todo. Algumas pesquisas observacionais em estudos de caso, relatam os benefícios do método na recuperação de indivíduos com DP (11,12).  Outra pesquisa desenvolvida na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) com Parkinsonianos, concluiu que a atividade física evita o agravamento de uma série de sintomas, além de manter a independência funcional do indivíduo (9).  Especificamente, pesquisa realizada por fisioterapeutas da pós-graduação em Pilates, da Faculdade Maurício de Nassau com parkinsonianos, perceberam bons resultados do método, apresentando melhora dos sintomas e, especialmente, proporcionando melhor relacionamento social, oferecendo uma melhor qualidade de vida. (13,14)

Concluindo, a falta de publicações não nos permite atestar a eficácia da aplicação do treinamento funcional e o método de Pilates cientificamente. No entanto, a associação dos exercícios proporcionaram melhora do condicionamento físico, flexibilidade e consciência corporal, o que, no mínimo, aprovam o método como “um treinamento eficiente para portadores da DP”.

É necessário que as instituições de ensino e pesquisa, que possuem condições de acompanhar um estudo com referencial estatístico, atentem para a necessidade da comprovação do método Pilates, incentivando trabalhos de conclusão, de especialização e de pós-graduação.

Angelo de Souza
Patricia Pereira – Educadora Física
Studio Patrícia Pereira de Treinamento Físico e Pilates de Solo

Referências

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UNRIC. Centro Regional da Informação das Nações unidas. Perturbações neurológicas afetam milhões de pessoas no mundo. Disponível em: https://www.unric.org/pt/desenvolvimento-social/8986,  12/11/2015.

Oliveira JRG. A importância da ginástica laboral na prevenção de doenças ocupacionais. Revista de Educação Física 2007;139:40-49.

Calderaro SG, Amadei JL, Conter CC,, Doença de Parkinson: tratamentos complementares e qualidade de vida. Revista Saúde e Pesquisa, v. 8, n. 1, p. 97-103, jan./abr. 2015

Goulart RP, Barbosa CM, Silva CM, Teixeira Salmela L, Cardoso F. O impacto de um programa de atividade física na qualidade de vida de pacientes com doença de Parkinson. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 9, n. 1, p. 49-55, out./dez. 2005.

Camargos  ACR. O impacto da doença de Parkinson na qualidade de vida: uma revisão de literatura. Rev Bras Fisioter 2004;8(3):267-272.

Haase DCBV, Machado DC, Oliveira JGD. Atuação da fisioterapia no paciente com doença de Parkinson. FisioterMov. 2008 jan/mar;21(1):79-85

Paula FR, Lima, Teixeira-Salmela LF, Cardoso F. Exercício aeróbio e fortalecimento muscular melhoram o desempenho funcional na doença de Parkinson. Fisioter Mov 2011;24(3):379-388,

SUBTIL MML, SOUZA ML, Garcia A. O relacionamento paciente-fisioterapeuta no método Pilates; Psicologia Argumento 2012;30(70).  Disponível em: http://www2.pucpr.br/reol/pb/index.php/pa?dd1=6144&dd99=view&dd98=pb

Comunello JF. Benefícios do método Pilates e sua aplicação na reabilitação. Instituto Salus, maio. Junho 2011.

Sacco ICN, Andrade MS, Souza PS, Nisiyama M, Cantuária AL, Maeda FYI, Pikel M. Método Pilates em revista: aspectos biomecânicos de movimentos específicos para reestruturação postural-Estudos de caso. R Bras Ci e Mov 2005; 13(4): 65-78.

Silva, ACLG, Mannrich G. Pilates na reabilitação: uma revisão sistemática. Fisioter. mov 2009;22(3):449-455.

LIMA MCC. Doença de Parkinson: alterações funcionais e potencial aplicação do método Pilates. Geriatria & Gerontologia 2009;3(1):33-40

Soares A, Maciel ME. Contra o tremor, a malhação. [Trabalho de conclusão]. Curso de pós-graduação em Pilates, da Faculdade Maurício de Nassau – PE.  2011.

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