Relato: Treinamento funcional associado ao método Pilates I

A Doença de Parkinson (DP) é uma enfermidade neurodegenerativa, crônica e progressiva que afeta o sistema nervoso central. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 e 2% da população mundial com idade acima de 65 anos são acometidos pela doença. No Brasil, o índice é de 3,3% das pessoas acima de 70 anos (1-2).

De causa desconhecida, ainda não tem cura, caracteriza-se pela lentidão nos movimentos, rigidez muscular, tremores, alterações no equilíbrio, dificuldades na postura e na fala. O tratamento envolve medicamentos e atividades alternativas como fisioterapia, fono, psicologia e exercícios (1).

O Treinamento Funcional (TF) é uma atividade de exercícios que objetiva a prevenção, o tratamento e a busca da melhoria do desempenho total do indivíduo. Tem sido um fator importante nos tratamentos clínicos e em cirurgias musculoesqueléticas (3) amplamente aplicada e ratificada com publicações em livros e periódicos especializados, dentre eles a DP (4-9).

Mais recentemente, o método Pilates (9,10) que é uma técnica de reeducação do movimento e que visa trabalhar o corpo todo, trazendo equilíbrio muscular e mental, tem sido indicado a indivíduos que apresentarem alguma patologia onde a reabilitação é necessária.

Baseado no exposto acima, esse artigo tem como objetivo relatar, avaliar e discutir os resultados obtidos no equilíbrio e na movimentação corporal em um indivíduo com DP, diagnosticada há 15 anos, quando aplicado o treinamento funcional e o método Pilates.

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A fonte de pesquisa para levantamento e análise foi realizada em artigos e material disponível na WEB, em revistas especializadas em Fisioterapia e Educação Física publicadas no período de 2000 a 2015, no idioma português e inglês.

Foram utilizados, como material de seleção os descritores “fisioterapia”, “pilates” “doença de Parkinson”, “doença neurológica” e “doença degenerativa”, nas bases de dados Medline, Pubmed, Scielo e Lilacs.

Relato do caso

A.S., indivíduo do gênero masculino, 54 anos, 73 kg, 1m66 de altura, inativo, portador do mal de Parkinson desde 1999. Proveniente de um Serviço de Fisioterapia de Porto Alegre (RS), onde nos últimos três anos foi assistido com três sessões semanais. Relatou que aos 27 anos foi acometido de um colapso muscular diagnosticado como Síndrome de Guillian-Barré, sendo hospitalizado em um Hospital de Porto Alegre com recuperação total.

Aos 35 anos apresentou deficiência motora e tremores, procurou o Posto de Saúde do SUS que o encaminhou para um neurologista com suspeita de DP. Aos 53 anos procurou atendimento médico em Clínica Conveniada, devido a fortes dores nas costas. Solicitado exame de Ressonância Nuclear Magnética, acusou as seguintes deformações: – Coluna Lombossacra em L4-L5, componente distal posterior difuso, com maior componente paramediano esquerdo, associado a fissuras de algumas fibras do ânulo fibroso, promovendo leve redução do neuroforame à esquerda; em L5-S1, protrusão discal posterior difusa, associada a hérnia extrusa paramediana direita; Coluna Dorsal, escoliose levoconvexa. Manifestações degenerativas difusas, acometendo as articulações interfacetárias; Coluna Cervical, fusão dos corpos de C3e C4, em C4-C5, protrusão distal posterior difusa, uncoartrose em C4-C5, C5-C6 e C6-C7.

Indicado cirurgia, não efetivou o procedimento. Frequenta, há 7 meses, um serviço especializado em Quiropraxia, com sessões de 20 em 20 dias.

Pratica exercícios de alongamento durante 15 minutos pela manhã desde o diagnóstico de DP.

Procurou o estúdio de Treinamento Físico em abril de 2015 para praticar uma atividade física, com a intenção de diminuir a rigidez muscular, as dores nas costas e melhorar a marcha. No exame físico apresentou falta de força, dificuldade no equilíbrio, marcha com lentidão, arrastada e declínio lateral. Alguma dificuldade na fala e na respiração. Em certos momentos também deu mostras de déficit de memória.

A prática do treinamento compreendeu exercícios motores, treinamento de marcha (sem e com estímulos), exercícios de relaxamento e respiratórios, com periodicidade de 2 vezes por semana com sessões de Pilates solo e de treinamento funcional alternadamente.

As sessões foram direcionadas ao acompanhamento da DP, ao fortalecimento da musculatura com a finalidade de reforçar e melhorar a flexibilidade da coluna, possivelmente diminuindo as dores. A partir do quarto mês devido a resposta positiva, passou para 3 vezes por semana.

Veja na próxima matéria os resultados obtidos.

Angelo de Souza
Patricia Pereira – Educadora Física
Studio Patrícia Pereira de Treinamento Físico e Pilates solo