Na literatura utilizada na Ciência do Movimento Humano (Educação Física), os termos “capacidade física”, “aptidão física”, “aptidão motora geral”, “condição física”, “fitness”, “capacidade funcional”, “Physical Fitness”, “Motor Fitness”, aparecem como sinônimos, são utilizados de forma específica, de acordo com a abordagem, propósito e até mesmo com finalidades comerciais.
Aptidão Física, de acordo com Barbanti (2005), significa estado dinâmico de energia e vitalidade que permite que alguém realize as tarefas diárias, tenha tempo de lazer ativo e enfrente as emergências imprevisíveis sem fadiga excessiva, além de permitir uma redução do risco de doenças hipocinéticas. Condição Física é entendida como o estado que denota o grau de desenvolvimento das características motoras, como resistência, força, velocidade e flexibilidade (Barbanti, 2005). Para Barbanti e Guiselini (1993), o conceito fitness (ou aptidão física, se assim desejarem) é a dimensão biológica da aptidão total.
No esporte, de forma geral, o termo “condição física” é, frequentemente, mais utilizado para identificar o quanto o atleta está “em condição física para suportar as demandas específicas da modalidade em questão”. São utilizados testes científicos para avaliar o nível de desenvolvimento das capacidades biomotoras necessárias para o desempenho ótimo, como, por exemplo, a potência de membros inferiores, a endurance anaeróbia, entre outras.
Mais recentemente o termo “capacidade funcional” tem sido utilizado para identificar o nível de desenvolvimento das capacidades biomotoras necessárias para que praticantes (crianças, adolescentes, adultos, idosos) tenham condições de realizar, com proficiência, as tarefas motoras no dia a dia, nas lutas, danças, esportes, artes marciais e atividades recreativas (GUISELINI, 2024). Para melhor compreensão do significado do termo capacidade biomotora, ele pode ser dividido em duas partes: bio=vida, e motora=movimento; isto significa movimento para a vida cotidiana ou esportiva (CHECK,2000).
O Método Pilates, criado por Joseph Pilates, denominado pelo autor de forma mais ampla como Contrologia, tem estreita relação com o desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional (fig. 2). Por meio de suas estratégias, tendo como base os seus princípios, propicia uma ampla variedade de experiências para a manutenção das capacidades biomotoras que, por sua vez, de forma diferente de outros métodos de treinamento, integram as cinco dimensões do bem-estar: física, emocional, social, mental e espiritual e seus componentes (fig.1) (Guiselini, 2016).

Na prática, utiliza exercícios com peso do corpo, acessórios e aparelhos, com uma ampla variedade de estratégias incluindo variações de exercícios para um mesmo objetivo, intensidade e volume (séries e repetições) conforme os princípios desenvolvidos por Joseph Pilates, adequados aos modernos princípios de treinamento contemporâneo.
Importante ressaltar que um dos aspectos, que consideramos relevante no Método, é a possibilidade de combinar exercícios, desafiando a capacidade coordenativa dos praticantes onde a consciência corporal, coordenação motora, mobilidade e estabilidade, orquestradas pela força, propiciam o desenvolvimento do controle neuromotor. A complexidade e a intensidade são dois componentes fundamentais para a manutenção da capacidade funcional, obedecendo ao princípio da carga progressiva.
Uma vez que os praticantes atingem um nível satisfatório de desenvolvimento da capacidade funcional e respectivos componentes (potência, resistência de força, endurance aeróbia/anaeróbia, mobilidade, estabilidade, coordenação motora, consciência corporal, descontração e relaxamento – fig. 2), o grande desafio é a permanência no programa de treinamento e, como consequência, a “manutenção da capacidade funcional adquirida*”.

*Notas do autor:
*A endurance aeróbia/anaeróbia, num primeiro momento, não parece como capacidades biomotoras primárias a serem desenvolvidas pelo Método Pilates. No entanto, os exercícios globais, que envolvem a p articipação simultânea de braços e pernas, propiciam adaptações no sistema cardiopulmonar, em especial para alunos de baixa capacidade funcional aeróbia.
*Manutenção, do latim, “manutentio”, é um termo usado para descrever o ato ou o efeito de manter. No geral, ele é usado como sinônimo de conservação e especificamente, no caso em questão, o propósito é que os praticantes do Método Pilates, uma vez adquirido um nível satisfatório da capacidade funcional, consigam mantê-la por um longo período, que a sua prática seja incorporada como um dos componentes dos hábitos saudáveis.
O Controle da Manutenção da Capacidade Funcional
Um aspecto importante, relacionado à Manutenção da Capacidade Funcional, diz respeito à aplicação de Testes Funcionais para avaliar o nível de desenvolvimento das capacidades biomotoras e habilidades motoras relacionadas ao Método Pilates. A literatura especializada apresenta sugestões de testes qualitativos e quantitativos que podem ser utilizados como avaliação diagnóstica, de controle e de evolução.
Os resultados obtidos na Avaliação Funcional fornecem informações para o Professor fazer os ajustes necessários e, muito importante, para o aluno ter o conhecimento concreto da sua evolução qualitativa e quantitativa.
Este tema – Avaliação Funcional, entre outros específicos relacionados ao desenvolvimento/manutenção da capacidade funcional, como um dos propósitos do Método Pilates, será abordado em artigos futuros, apresentados na seção Pilates em Foco.
Autor: Prof. Dr. Mauro Guiselini, Doutor em Ciências do Movimento Humano.