Pilates para esportistas

De um lado conheço profissionais que não sabem nem por onde começar e tem muitas dúvidas sobre como ajudar os esportistas, esses “seres” loucos por uma prova, por um pace mais baixo, por uma defesa daquelas… e do outro lado, esportistas que querem melhorar mas não sabem o quanto podemos ajudá-los!

Eu adoro atender esportistas: eles são focados, tem objetivos claros e tempo pra cumprir. Sem firula, sem mimimi, sem perda de tempo… Cada aula é uma oportunidade de ouro pra evoluir. Esse comprometimento é o que faz toda a diferença, e tem que ser dos dois lados viu?

Esse assunto rende tanto que a Revista Pilates sugeriu que eu fizesse uma Minissérie sobre Pilates para Esportistas. Vou te ajudar a descobrir novas possibilidades com os recursos que você já tem. E o Pilates é o nosso trunfo!

Vou te ensinar alguns truques preciosos que farão a diferença na hora de atender esportistas, esse público tão especial e que está se machucando e precisando de um trabalho preventivo, especialmente no esportes mais populares como futebol, crossfit, corrida, musculação. Podemos ajudar muita gente a ter mais saúde e praticar esporte sem dor. Vou relatar alguns dos nossos cases de sucesso. Vamos lá?

Ela sentia dores até pra subir um pequeno degrau, e foi proibida de praticar qualquer esporte com aqueles joelhos inchados e rígidos com uma condromalácia grau IV bilateral aos 35 anos…

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Não me esqueço quando vi a Paula pela 1ª vez em 2015, chateada e com os olhos marejados de dor. Foi proibida de agachar, usar salto, subir escadas fazer trilhas, praticar  Ultimate Frisbee, logo ela que era a melhor atleta do time. Condenada a não fazer o que mais gostava, se entupia de remédios e tentava se mexer, não estava dando certo. Fez muuuuuuuuuuita fisioterapia convencional, sem sucesso.

“Essa é minha última cartada, se você não me ajudar eu vou desistir de tudo” ela me disse, bem deprimida.

Fiz o diagnóstico funcional e me lembro de ter ficado pensado como uma moça tão jovem estava tão debilitada depois de centenas de sessões de Fisioterapia. Sim, eu disse centenas. E imediatamente comecei a trabalhar com ela.

A Paula como a maioria, foi mal orientada durante toda a vida. Realizava os movimentos mais simples gerando uma sobrecarga enorme nas articulações e corria de um jeito que eu nem consigo explicar. Ela estava machucando o próprio corpo.


Estabeleci algumas metas e fizemos um trabalho de base tão eficiente que em 3 meses ela estava correndo na esteira a 15km/h, sem dor, pasmem!

No diagnóstico funcional identificamos que o ponto alto pro retorno ao esporte era a corrida e pra fazer isso acontecer estabelecemos uma estratégia motora eficiente: percepção corporal, análise dos movimentos perdidos e do gesto esportivo (reeducação mesmo! Entender na teoria e na prática faz a diferença), reeducação destes movimentos através do Pilates, treino de força direcionado, ganho de habilidade complementares. Pra isso tivemos que recuperar a marcha e a subida e descida de escadas antes de correr começando do zero até essa velocidade incrível. O Pilates foi a base de todo o processo para recuperar as funções limitadas e perdidas na fase da dor.

Tudo corria bem, ela estava cada vez mais forte e segura, sem medo de se movimentar: CINESIOFOBIA é o nome disso, e com medo todo o processo fracassa. Surgiu um campeonato logo depois e começamos a correr contra o relógio visando o retorno da Paula sem traumas. Disciplina, regularidade e foco no objetivo dela. Ela estava feliz e eu também.

O aluno tem grande responsabilidade no processo de melhora. Ele não deve ser paciente e sim ativo na reabilitação: fazer a tarefa de casa, ter regularidade, não se atrasar, manter o foco, ter interesse em aprender para se proteger e ganhar saúde. Esse deve ser o pacto entre você e seu aluno.

Não foi moleza: o Pilates construiu a base para a realização das atividades da rotina e do esporte sem dor: subir e descer escadas, agachar, saltar, correr com rápidas mudanças de direção e aceleração/desaceleração. Treinamos o gesto esportivo, ela melhorou o arremesso de 5m pra 15m e agora está em mais de 20m(!!!) e só foi possível porque trabalhamos o tronco e a cintura escapular (muito mais eficiente que apenas cultivar músculos do braço).

CINESIOFOBIA – esse medo ficou no passado.

Treinamos também outras habilidades físicas e estabelecemos uma rotina de atividades de casa e para aquecimento antes do treinos de Frisbee. Esse trabalho foi ESSENCIAL e claro, DIFERENTE do que todo o restante do time realiza. O aquecimento bem feito é a diferença entre ela jogar feliz e sem dor X chegar toda machucada na próxima aula e o trabalho retroceder. Toda essa evolução sem remédio e sem recursos paliativos e passivos. Fizemos tudo através do movimento.

Você tem que entender sobre o universo do seu aluno, só assim vai ajudá-lo a sobreviver às sobrecargas a que ele fica sujeito no esporte, na rotina e lazer.

De lá pra cá não paramos mais: foram muitos títulos conquistados, muitos treinos, trilhas de 3, 5, 8 dias com altimetrias surreais (imagine demorar 9 horas pra descer a montanha? A subida demorou 2 dias… e os joelhos nem reclamaram. Onde será que foi para a condromalácia? Hehe

Você deve estar se perguntando que exercícios a Paula realizou: foram muitos, e neste primeiro capítulo dessa Minissérie é importante que você entenda como é o processo, quais fatores levar em conta, como organizamos a jornada desde o início do processo de reabilitação até agora. De nada adianta eu te ensinar exercícios se eles forem realizados no momento errado. Eu te passei aqui uma estrutura que pode ser usada com outros alunos e a partir dela você vai fazer a escolha dos melhores exercícios para garantir os resultados desejados.

No próximo caso, já sabendo da estrutura, vou te contar detalhes sobre algum movimento essencial, ou mais sobre a avaliação… vai valer a pena!

Não desistam desses grandes desafios quando eles aparecerem, tornem-se capacitados para atender as necessidades do seu aluno e um mundo de possibilidades e oportunidades vai surgir.

Até a próxima semana!

Um forte abraço

Tatiana Capoani, Fisioterapeuta, especialista em melhorar a capacidade física das pessoas e aperfeiçoar profissionais do movimento.

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