Pilates na hidrocefalia

Recebemos um artigo, mostrando que o Pilates também pode ajudar no tratamento de pessoas com hidrocefalia – uma doença grave e que pode trazer inúmeras disfunções físicas.

O mais legal é que o autor, Víctor Valente, profissional de Educação Física, descobriu que a atividade física que nós tanto amamos, pilateiros, pode auxiliar as pessoas com esse problema a desenvolverem capacidades e habilidades motoras para melhorar o posicionamento do tronco e da cabeça, além de facilitar a marcha e a coordenação dos movimentos. Vamos entender direitinho como tudo isso funciona? Vem com a gente!

Hidrocefalia é uma palavra de origem grega. Hidro significa água; céfalo, cabeça. Ela é uma doença congênita (adquirida durante a gestação) ou que surge quando ocorre um acúmulo anormal de líquido (líquido céfalo-raquidiano, liquor ou LCR) em áreas específicas do cérebro.

Esse acúmulo de líquido acaba por causar crescimento rápido e exagerado do crânio, levando a sintomas como: irritabilidade, ataques epiléticos, dor de cabeça, dificuldade de caminhar, perda de habilidades físicas, diminuição das capacidade cognitivas, vômitos, dentre outros.

Algumas estimativas atribuem uma incidência de 1-3 por 1000 nascimentos, para a hidrocefalia congênita ou de início precoce, às quais se acrescentam as hidrocefalias adquiridas. Nos Estados Unidos da América (EUA), dados epidemiológicos do sistema nacional de saúde, mostram que a prevalência de derivações liquóricas é maior que 125000, com um número aproximado de 33000 derivações por ano (KLIEMANN S.E e ROSEMBERG . S, 2005).

Segundo Kliemann, os distúrbios psicomotores e a epilepsia são problemas importantes relacionados com a hidrocefalia e estão presentes em 50% dos casos. As disfunções físicas podem acometer a criança com hidrocefalia em diferentes graus. Infecções como a meningite também são comuns na hidrocefalia.

À medida que a criança envelhece, algumas complicações psicomotoras se tornam permanentes, como a perda da coordenação motora e os problemas na marcha, espasmos musculares e movimentação lenta e restrita.

O tratamento para a hidrocefalia é medicamentoso, podendo, muitas vezes, ser cirúrgico, o qual tem obtido resultados significativos com o uso de Derivação Ventrículo-Peritoneal (DVP) para drenar o LCR em excesso nos ventrículos para outras cavidades corporais, anulando a pressão causada pelo aumento ventricular. Foram encontradas significantes diminuições na mortalidade e da morbidade em crianças hidrocéfalas após a introdução da válvula.

Devido a inúmeras complicações psicomotoras que os diferentes graus de hidrocefalia podem causar, é muito importante que a criança, adolescente ou adulto que desenvolveram a hidrocefalia busquem atividades que desenvolvam capacidades e habilidades motoras para melhorar o posicionamento do tronco e da cabeça, além da marcha e da coordenação dos movimentos. Uma das modalidades indicadas é o PILATES.

Por ser uma pratica extremamente controlada, que visa o desenvolvimento de uma base postural sólida e de suporte, para que todos os movimentos se tornem seguros, o método traz bons e duradouros benefícios ao praticante com hidrocefalia.

Por meio de seus princípios, o Pilates é capaz de trazer raciocínio e concentração na execução dos movimentos, além de promover o fortalecimento e a mobilidade das articulações, permitindo maior estabilidade e congruência na movimentação durante o dia a dia.

Além disso, ajuda na boa sustentação da cabeça e na liberação de tensão dos músculos cervicais, principal queixa do hidrocefálico, uma vez que a cabeça tem um tamanho diferenciado e pode alterar em seu posicionamento.

A coordenação mais apurada garante também um menor risco de traumas, como quedas e entorces, melhorando o equilíbrio na posição em pé e durante a caminhada.

Para diferentes graus de hidrocefalia existe uma forma de atuação, por isso é preciso conhecer muito bem caso a caso, entender os laudos médicos, obter a liberação para pratica de atividade física orientada e fazer uma avaliação postural estática e dinâmica criteriosa, juntamente com testes de função muscular para se ter um diagnóstico preciso e, por fim, desenvolver com eficiência, consistência e embasamento um programa de treinamento de sucesso no Pilates.

É muito importante ressaltar que dependendo do grau da doença é necessário a atuação específica de profissionais especializados, como fisioterapeutas. O educador físico tem competência em desenvolver um trabalho com esse público quando a doença já é bem tratada e a pessoa acometida possui total consciência de seus limites e tem total controle sobre possíveis convulsões.

O profissional deve estar atento e com total conhecimento sobre o assunto para poder atingir aos objetivos e necessidades do aluno acometido por essa doença.

Victor Valente
Educador Físico (CREF 074605- G/SP)

Compartilhar:

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp

5 Comentários

Deixe um comentário

Quer receber novidades?

Inscreva-se na newsletter para receber conteúdos imperdíveis!

Botão
Revista Pilates

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.