Pilates e gestão das competências emocionais

Práticas do método Pilates: uma conexão forte entre o corpo (aspectos técnicos, físicos e fisiológicos) mente (aspectos psicológicos) e espírito (energia vital) é fundamental para alcance de resultados no contexto.

Um estudo sobre o papel das características psicológicas que facilitam o caminho para a excelência apontou que o melhor caminho para atingir a excelência se dá através de atributos físicos, compromisso, reconhecimento sobre o que é necessário para atingir este nível, saber lidar com a pressão, ter autoconfiança, utilização de visualização mental e da capacidade de lidar com os acontecimentos de forma que a tarefa não seja só chegar ao objetivo, mas sim manter-se lá pela maior quantidade de tempo possível (MACNAMARA, BUTTON e COLLINS, 2010).

Tendo como foco os aspectos psicológicos, quanto maior for a diversidade de competências psicológicas de um sujeito, e quanto melhor for o uso das mesmas, maior será a robustez mental. Isto é, a sua capacidade de lidar com as variáveis do meio em que se encontra, se tornando mais propício a obter resultados positivos.

Pilates x robustez mental

Levando para o contexto do Pilates, a robustez mental se dará a partir do momento em que o indivíduo for capaz de estar presente em sua prática, de forma concentrada e qualificada tirando proveito em todos as dimensões que ela pode proporcionar – biopsicossocial e espiritual, além de transferir estes benefícios para sua postura do dia a dia. 

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A robustez mental passa pela junção de valores específicos, atitudes, cognições e emoções desenvolvidas através das experiências que influenciam as abordagens e as respostas, tanto negativas como positivas de um indivíduo, em relação às adversidades, pressões e desafios de atingir um objetivo (GUCCIARDI, 2009).

Nessa perspectiva, pode-se dizer que essa robustez mental está ligada à competência, uma vez que essa é um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (FLEURY e FLEURY, 2001) e o que a sustenta é a inteligência prática das situações, que se apoia em conhecimentos adquiridos e os transforma à medida que a diversidade das situações aumenta (ZARIFIAN, 2003).

Se pensarmos que o Método Pilates possui seus níveis (básico, intermediário e avançado) e progressão individual, essa inteligência prática poderá ser adquirida ao longo do tempo de prática de Pilates, tendo como fundamento central a alocação de recursos internos e externos que o indivíduo direcionará para seu momento de dedicação ao método.

Sabendo que a competência é um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades em prol dos objetivos (FLEURY e FLEURY, 2001), é necessário que o praticante selecione onde e como irá investir seus recursos em prol desse agir responsável para alcançar todos esses benefícios.

Competências psicológicas

O compromisso, a concentração, a autoconfiança, a motivação, o controle do estresse e do medo, ou da energia negativa, a visualização mental e a disciplina são algumas das competências psicológicas mais estudadas e mais encontradas como critério de sucesso nos exercícios físicos. E, consequentemente, no Método Pilates (MACNAMARA, BUTTON e COLLINS, 2010; HOLLAND, WOODCOCK, CUMMING e DUDA, 2010; CÔTÉ, LIDOR e HACKFORT, 2009; DURAND-BUSH e SALMELA, 2002).

E para que o desenvolvimento de competências psicológicas possa ser pensado de forma eficaz e individualizada é necessário avaliar os pontos fortes e pontos fracos específicos de cada indivíduo. Após identificar as competências psicológicas de um indivíduo, é preciso instrumentalizá-lo para que possa gerenciá-las de forma efetiva no alcance dos resultados durante a prática do método, ampliando seus benefícios para outras dimensões. Nesse sentido, uma ferramenta bastante utilizada na administração pode proporcionar uma visão geral que possibilite direcionar as ações, mesmo no contexto de prática e intervenção com o Método Pilates: a análise de SWOT. 

Ferramentas de análise

SWOT

A análise de SWOT é uma técnica utilizada para planejamento estratégico, desenvolvida na década de 60 pelos professores Kenneth Andrews e Ronald Christensen, da Harvard Business School.

O termo SWOT vem do inglês e suas letras representam as iniciais das palavras strengths, weaknesses, oppportunities e threats, traduzidas para o português em Forças, Fraquezas, Oportunidade e Ameaças; onde o objetivo é avaliar os pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças, ou seja, análise do ambiente externo e interno.

Em tudo o que fazemos, as oportunidades, as ameaças, as forças e as fraquezas devem ser avaliadas e consideradas para que o direcionamento correto das ações possa ser planejado. Não seria diferente no contexto da prática de Pilates. É imprescindível se conhecer e conhecer o meio para que se possa ter melhores resultados. 

Trazendo a ferramenta SWOT para o ambiente dos exercícios físicos, podemos dizer que, no ambiente interno ou próprio do indivíduo, as forças são as competências psicológicas que ele tem mais desenvolvidas. As fraquezas são as competências que necessitam de um melhor desenvolvimento.

Já no ambiente externo, as oportunidades se referem à identificação de estratégias e recursos que podem auxiliar o indivíduo na potencialização de suas competências. As ameaças são elementos que podem dificultar ou impedir o indivíduo de conseguir alcançar seus objetivos.

Ciclo de PDCA

Outra ferramenta bastante utilizada no contexto da gestão, que pode facilitar o processo de análise de competências, é o ciclo de PDCA (Plan, Do, Check e Action). A Figura abaixo ilustra o ciclo de PDCA, no qual a primeira fase é o PLAN (planejamento), onde se definem as metas e as estratégias para alcance; a segunda fase é o DO (execução) que se trata de colocar em prática o que foi planejado, sempre registrando informações relevantes para análise e ajustes; a fase três é o CHECK (verificação) e visa comparar a execução com o planejamento, a fim de verificar se os resultados esperados e planejados foram ou não alcançados; a quarta fase é o ACTION, na qual ocorrem as ações corretivas.

De maneira bem resumida, no Pilates o indivíduo ou profissional pode planejar a prática, executar o que foi planejado, verificar quais foram as dificuldades encontradas e o que é necessário para melhorar, alimentando um novo ciclo de planejamento. 

Figura 1 – Ciclo de PDCA. Fonte: Campos (1992, p. 30).

A partir do contexto e das ferramentas de gestão apresentados, os indivíduos podem se organizar, gerenciando seus pontos fortes e fracos e planejar novas estratégias que o ajudarão a alcançar seus resultados. Através delas é possível realizar a gestão de competências psicológicas que possibilite ao indivíduo praticante de Pilates, e aos profissionais de Pilates, avaliar e gerenciar as competências psicológicas, contribuindo para o planejamento do treinamento e obtenção de resultados de forma mais eficaz e satisfatória a curto, médio e longo prazo. 

Conclusão

Entender como as competências psicológicas (autoconfiança, ansiedade, concentração, visualização mental, emoção positiva, motivação, atitude positiva e  persistência) são gerenciadas pode facilitar a jornada de vida dos indivíduos, tornando o caminho mais leve e um critério de sucesso no treinamento de Pilates. Uma vez que, em diversos contextos, indivíduos não conseguem alcançar seus objetivos por não conseguirem suportar determinadas situações e gerenciar suas competências de maneira eficiente.

Nesse sentido, conhecer as competências psicológicas, os pontos fortes e fracos, bem como as ameaças e as oportunidades existentes, pode auxiliar no gerenciamento dessas competências e qualificar a intervenção profissional, potencializando os resultados. 

Cristina Carvalho de Melo
Idealizadora e Coordenadora do Projeto Pilates UFMG
Doutoranda em Ciências do Esporte, Mestrado em Estudos do Lazer, Especialização em Psicologia do Esporte e em Pilates, MBA em Gestão de Projetos.
Graduada em Educação Física e Administração
Carvalho.cristina@gmail.com
Instagram: @criscarvalhomelo
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