Pilates e Crossfit

Hoje tem estreia aqui na Revista Pilates! A Fisioterapeuta Lisia Lettieri vai nos guiar pelo mundo do Crossfit e mostrar que com Pilates tudo pode ficar ainda melhor. Os crossfiters podem se beneficiar – e muito – do método, deixando o corpo mais preparado, mais forte e o mais longe possível das temidas lesões (comuns nesse meio por conta dos objetivos da prática, que, muitas vezes, leva o corpo ao limite extremo). 

O Crossfit é lesivo?

Quem nunca ouviu essa pergunta, que faça o primeiro’burpee’.

Brincadeiras à parte, quando se fala em saúde e bem-estar, o assunto é sério. Qualquer atividade física, quando praticada sem orientação profissional e sem consciência corporal, pode ser lesiva. Para evitar isso, um trabalho de base deve ser realizado antes ou concomitante com a prática esportiva desejada.

Por exemplo: um atleta de natação não pode se limitar apenas ao treino na piscina. Ele precisa também de reforço muscular e de alongamento através de outras modalidades, como a musculação, o uso de therabands e Pilates, onde os músculos vão desenvolver força e flexibilidade, proporcionando-lhe um melhor desempenho durante o treino e pós-treino (recuperação muscular).

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O Crossfit envolve exercícios de levantamento de peso olímpico, ginástica olímpica e exercícios aeróbicos, como a corrida, a bicicleta e o remo, e sempre com meta estabelecida, em números de rounds ou de tempo. Ou seja, os treinos são associados a explosão e resistência muscular em movimentos repetitivos de grandes amplitudes e com cargas.

Como o Pilates pode auxiliar os atletas?

Tendo presente essas características que acabamos de citar, a prática de Pilates se apresenta ideal para a preparação dos crossfiters que necessitam de intenso trabalho de consciência corporal e de fortalecimento de músculos profundos. Sem dúvida, os exercícios de Pilates são excelentes aliados dos crossfiters. O método ajuda, principalmente, na prevenção de lesões e melhora da execução dos movimentos realizados nos treinos.   

Para clarear esse raciocínio, vamos associar os princípios do Pilates ao Crossfit:

  1. Concentração: Joseph Pilates define o Pilates como a completa coordenação entre corpo, mente e espírito*1. A mente é responsável por comandar cada movimento do corpo, tornando-nos conscientes do momento presente em que estamos executando a tarefa. É o comando mental que recruta mais unidades motoras de uma fibra muscular.Ou seja, os exercícios executados de forma consciente proporcionam uma potencialização do trabalho muscular, onde os músculos aprendem a forma correta de contração e de relaxamento, preservando a amplitude e biomecânica articular.

    Para o Crossfit, essas são caraterísticas fundamentais, principalmente quando se fala em levantamento de peso, o qual exige uma técnica apurada para que o movimento seja realizado de forma válida e segura.

  2. Centralização: a musculatura profunda do tronco forma uma espécie de cinta, que é responsável pela estabilização estática e dinâmica do tronco. Estudos mostram que ao movimentar os braços e as pernas a musculatura abdominal profunda se ativa automaticamente, garantindo a estabilidade vertebral*2.Nos treinos de Crossfit, a diversidade de movimentos é enorme e a maioria deles exige o recrutamento de várias articulações. Braços e pernas estão em constante movimento e a coluna deve ser capaz de manter sua estabilidade, mesmo quando deve movimentar-se.
  3. Fluidez: o corpo deve se movimentar de forma harmônica, livre e fluida, como em um passo de dança. Os músculos, ligamentos e fáscias devem permitir o deslizamento e a congruência articular. As fibras musculares contraem e relaxam em sincronia com as suas antagonistas, permitindo um movimento saudável.Em seus rápidos movimentos, os atletas de Crossfit estão o tempo todo exigindo essa harmonia corporal, ainda que não percebam que, de fato, o precisam. Então, praticando o Pilates, poderão, de forma consciente, cadenciar os movimentos e manterem o ritmo de treino com menos gasto energético.

  4. Respiração: o diafragma é um músculo que trabalha, na maior parte do tempo, de forma involuntária (ninguém pensa para respirar). Porém, se quisermos, podemos comandar e exercitar esse músculo que recebe a inserção do Psoas e do quadrado lombar, músculos importantes para a dinâmica lombar e pélvica, os quais, normalmente, estão envolvidos nos casos de dores lombares. A região cervical também possui relação fascial com esse centro respiratório.Portanto, quando o Pilates atua na postura, atua também sobre toda a coluna através do trabalho respiratório. Isso é benéfico para os praticantes do Crossfit porque, afinal, alterações posturais em que não se tem mobilidade vertebral favorecem as lesões, principalmente se associadas a grandes amplitudes de movimento e com carga. Além disso, a respiração consciente melhora a capacidade diafragmática.
  5. Precisão: os exercícios quando executados com precisão exigem concentração, para que os padrões errados de movimento possam ser substituídos por padrões corretos e, gradual e inconscientemente, passem a ser incorporados em nosso repertório de vida, garantindo funcionalidade no dia a dia. Nos trabalhos do Crossfit, onde muitas vezes o exercício é explosivo, a precisão praticada no Pilates favorece que padrões corretos de movimento sejam utilizados de forma automática e natural.
  6. Controle: o controle muscular e articular nos exercícios do Pilates beneficia a consciência e o controle para que os movimentos do Crossfit aconteçam com a mecânica correta e dentro de uma amplitude segura.

Voltemos à pergunta do início: o Crossfit é lesivo?

É preciso considerar diversas variáveis para responder esta pergunta. Desde lesões prévias, mobilidade articular, capacidade de recrutamento muscular, consciência corporal, falta de controle, de precisão, de fluidez, de concentração, padrão respiratório ruim, fraqueza dos músculos do core etc.

Quer dizer então que a prática de tudo isso é garantia de que não haverá lesões?

Infelizmente, não. E isso não é exclusivo para o Crossfit. Nenhuma prática desportiva está livre de lesões, pois nosso corpo sofre a influência de outros fatores como o sono, a alimentação, o emocional, a ânsia por competição, sem respeitar os próprios limites, além de disfunções viscerais. Tudo isso será tema de discussão em outras edições.

O que podemos afirmar é que a prática do Pilates contribui sobremaneira para o desenvolvimento de inúmeras qualidades, as quais reduzem o risco de lesões e favorecem a atividade física mais saudável e consciente.

Lisia Lettieri Vidal
Fisioterapeuta
CREFITO 113680-F
@pilates_fisiolife
@taicrossfit

Referências:

1 Aparicio, Esperanza; Perez, Javier. O autêntico método Pilates: a arte do controle; tradução Magda Lopes – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2005.

*2 Kisner, Carolyn; Colby, Lynn Allen. Exercícios Terapêuticos; tradução Lilia Breternitz Ribeiro – Barueri, SP: Editora Manole, 2005.

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