O Pilates no equilíbrio de bailarinos

Equilíbrio de bailarinos

O método Pilates tem sido utilizado no treino de bailarinos como opção para fortalecimento dos músculos estabilizadores do tronco, melhora da flexibilidade, do equilíbrio e aumento da consciência corporal, assim, influenciando no desempenho esportivo de amadores e profissionais. O método tem como base as técnicas orientais e ocidentais, procurando integrar o trabalho corporal e mental durante a execução de exercícios específicos.

Controle postural

No Pilates há ganho de força, resistência e flexibilidade muscular, além da diminuição do estresse e melhora no bem-estar de seus praticantes. O foco do método, certamente, se dá no trabalho da musculatura estabilizadora do tronco e no centro de força, englobando todo o grupo abdominal. Pois, além da diminuição de dores lombares, existe melhora em estabilidade postural. Sendo assim, o Pilates pode ser considerado uma forma válida de fortalecer os músculos que contribuirão para o controle postural, assim, no equilíbrio de bailarinos.

O controle postural é a capacidade do ser humano em manter o arranjo dos segmentos corporais baseado em informações dos sistemas visual, vestibular e somatossensorial. Isso porque o conjunto de informações sensoriais cria um quadro de referências necessárias para controlar o suporte, a estabilidade e o equilíbrio corporal estático e dinâmico. Isso porque um dos fatores para o controle e equilíbrio corporal é o tamanho da base de apoio durante a realização de tarefas. 

Base reduzida

Desta forma, o controle postural é uma habilidade fundamental para os bailarinos, uma vez que movimentos como equilíbrios e pivots são executados em uma base reduzida, ou seja, nas pontas dos pés (relevé). Sabe-se também que o fortalecimento dos músculos que formam o powerhouse, trabalhado no Pilates, são importantes para a manutenção do equilíbrio dinâmico.
  

Benefícios do Pilates 

Nas últimas décadas tem havido um constante crescimento de praticantes de Pilates. Porém, não é proporcional à quantidade de estudos científicos relativos ao tema. Os movimentos costumam apresentar pequena amplitude articular. Ainda assim, quando corretamente aplicados, podem desafiar até bailarinos profissionais que têm buscado o método para melhorar seu desempenho na dança.

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As vantagens do Pilates observadas e constatadas na literatura são muitas. Em sua maioria, a flexibilidade e a melhora no alinhamento postural, além dos benefícios em consciência corporal e coordenação motora. Além disso, o método tem sido uma das melhores técnicas para correção postural. Durante as aulas tem-se como objetivo relaxar os músculos tensionados, alongar os encurtados e fortalecer aqueles mais fracos. Com isso, diminuir as diferenças para minimizar desvios posturais.

Pilates e bailarinos

Encontra-se estudos sobre postura em bailarinas; capacidade de salto em ginastas; velocidade em atletas; resistência muscular, flexibilidade, equilíbrio e postura; consciência corporal; controle muscular e postural; entre muitos outros. Existem poucas contraindicações e diversos benefícios na prática do Pilates quando aplicado corretamente e fiel aos princípios de seu criador. É indicado para crianças, adultos, idosos, homens, mulheres, gestantes, sedentários, atletas. Também para prevenção e tratamento de patologias, entre outras aplicações.

Equilíbrio estático: o relevé

A princípio a postura depende de uma atitude corporal determinada pelas organizações dos segmentos entre si. Já o equilíbrio está relacionado à capacidade de manter o alinhamento que passa pelo centro de pressão perpendicular ao solo. Logo, estas características são distintas, apesar de possuírem relação entre si. A massa corporal, o tamanho da base de sustentação, a organização óssea, a resistência muscular e os reflexos posturais estão envolvidos na manutenção do equilíbrio postural. A postura ereta não se mantém estática, havendo pequenas oscilações involuntárias que dependem de ações neuromusculares e, assim, mantém o corpo em constante movimento compensatório.

Postura x sistema de suporte

O controle do equilíbrio corporal humano pode ser definido como a manutenção de uma postura estática, porém com a menor oscilação nas bases (pés) e/ou manutenção de uma postura durante a realização de uma habilidade dinâmica. Dessa forma, a postura é controlada por um sistema de suporte, estabilidade e equilíbrio. Este complexo sistema engloba percepção, estímulos, planejamento e execução da postura exigida para o movimento desejado. A manutenção do equilíbrio postural é realizada tanto pelo trabalho muscular quanto por ajustes visuais. Sendo assim, a consciência corporal é a fonte sensorial com maior significância.

Primeiramente, essa consciência corporal, especificamente cervical, é de extrema importância no controle da postura e sua deficiência está diretamente relacionada à tontura, vertigem e instabilidade. Os receptores sensoriais da região cervical estão ligados à manutenção postural, locomoção, movimentos dos olhos, cabeça e pescoço, além da percepção do movimento e execução coordenada. Resumidamente, o equilíbrio postural necessita da soma de sinais visuais e proprioceptivos para ativar a musculatura que, como resultado, realizará a tarefa desejada. E a região cervical tem papel na postura, construção corporal, manutenção do olhar e estabilização corporal.

 

Equilíbrio dinâmico: o pivot

O pivot é descrito como sendo um movimento no qual ocorrem rotações em torno do eixo vertical do corpo sobre o metatarso do pé (antepé) da perna de apoio. Embora seja um movimento comum na dança, é considerado de difícil domínio. Até mesmo bailarinos profissionais apresentam dificuldades para realizar muitas rotações antes de perder o equilíbrio.

O treinamento é feito em pé, com a base de apoio reduzida, tendo o olhar muita importância para o controle da postura durante o giro. Durante a execução do pivot, há movimento de cabeça com dissociação de rotação de tronco, ou seja, quando a amplitude máxima de rotação cervical for atingida, a cabeça realiza uma rápida rotação no mesmo sentido do movimento retornando o olhar ao ponto de início. A reação gerada é dirigida lateralmente à posição do ponto de partida e, após a conclusão do pivot, o objetivo é manter o centro de pressão na mesma direção, podendo dar continuidade ao giro anterior.

O pivot é formado por duas fases distintas. Num primeiro momento tem-se a fase do apoio, onde a perna de apoio é empurrada contra o solo realizando um contra-movimento (plié). Neste instante, a força de reação do solo irá gerar um impulso para a rotação do corpo. A segunda fase é o instante do giro; neste momento ocorre a elevação do calcanhar e, no antepé (relevé), ocorrem as rotações.

Estudos

Numerosos estudos têm sido realizados revelando características específicas que contribuem para o êxito do giro. Tais como: a dimensão da preparação, o impulso gerado durante a fase de apoio, o torque rotacional e a velocidade nas rotações. O quanto o centro de pressão permanece alinhado com a base de apoio durante o giro, a coordenação do movimento do ombro, quadril e o movimento da cabeça, que podem afetar o momento de inércia do corpo e a velocidade de rotação em torno do eixo corporal, por exemplo, também já foram estudados. A inércia de um corpo que está rodando em torno de si, leva em conta sua massa e como ele é distribuído em torno de um eixo de rotação, logo, mais massa concentrada longe do eixo de rotação conduz a menor velocidade de rotação e, consequentemente, menor número de giros.

Para atingir um desempenho ótimo é necessário ter bom domínio da técnica e fortalecimento da musculatura recrutada durante o movimento. Um estudo analisou a biomecânica do pivot e concluiu que, os bailarinos que mostraram os melhores desempenhos, apresentavam uma maior ativação dos músculos estabilizadores do quadril (glúteos máximo, médio e mínimo) durante as rotações e dos músculos que estabilizam o tronco e mantém a postura ereta (powerhouse ou centro de força). Muitas estratégias são utilizadas a fim de melhorar a execução do pivot, tais como a repetição (executar diversas vezes os giros), a progressão (fracionar o movimento por quantidades de voltas) e o fortalecimento de forma isolada dos músculos estabilizadores de tornozelo, quadril e tronco. 

 As bailarinas 

Colaboraram com o estudo, aqui resumido, bailarinas praticantes e não-praticantes do método PILATES. Os grupos apresentaram o mesmo nível de treinamento e tempo de prática do ballet, com no mínimo cinco anos de experiência, além de apresentarem o mesmo volume de treinamento (aproximadamente 15 horas semanais). Ambos os grupos foram submetidos aos testes relacionados aos equilíbrios estático e dinâmico (pivot). O equilíbrio foi avaliado pelo deslocamento do centro de pressão.

Para o equilíbrio estático, as participantes foram posicionadas ao centro de uma plataforma de força com os braços ao longo do corpo e testadas em três condições. Durante meio minuto, permaneceram em posição ereta com os pés paralelos e os olhos abertos – Postura Estática (sexta posição pied plat). Após, elevaram os calcanhares, reduzindo a base de equilíbrio por mais meio minuto – Meia Ponta Sobre os Dois Pés (elevé). E, como último teste de equilíbrio estático, flexionaram uma das pernas à frente e mantiveram esta posição por seis segundos – Meia Ponta Sobre Um Pé (retiré no elevé). Já para o equilíbrio dinâmico, realizaram uma sequência de três pivots no retiré en dehors (Pivot), completando uma volta inteira.


Os resultados

Vários estudos sobre o controle postural reportam fatores que podem interferir no equilíbrio estático e dinâmico, tais como características antropométricas, idade e nível de condicionamento físico. Em uma população de não-praticantes de ballet na postura estática, o centro de pressão apresentou oscilações constantes de 1 cm. Neste estudo, ambos os grupos de bailarinas apresentaram uma oscilação de 0,4 cm, valores consideravelmente menores do que a população em geral. Estes resultados são similares aos encontrados em diversos outros estudos. Logo, bailarinas apresentaram uma maior eficiência no controle postural quando comparadas a não-praticantes e/ou praticantes de outras modalidades esportivas.

A boa postura é normalmente exigida nas aulas de dança, com o intuito de expressar soberania e requinte, bem como auxiliar em movimentos que exijam precisão. A constante cobrança do crescimento axial durante a execução de todos os movimentos do ballet é um fator que pode influenciar no excelente controle postural e equilíbrio de bailarinas.

Controle das oscilações posturais

Um dos fatores determinantes para o controle postural e equilíbrio é a estabilidade e o tamanho da base de apoio. Sabe-se que os movimentos executados por bailarinas são normalmente realizados sobre uma base reduzida (elevé), justificando a eficiência do controle postural quando comparados à população em geral. Sendo assim, verificou-se que essa população apresenta menor resposta às perturbações do equilíbrio, refletindo um controle mais refinado das oscilações posturais pelo treinamento físico.

Por exemplo, a ativação dos músculos abdominais é de considerável importância para garantir a manutenção da estabilidade postural durante o equilíbrio. Assim, enquanto o método Pilates utiliza exercícios que fortalecem a musculatura estabilizadora do tronco, o ballet utiliza da repetição dos movimentos coreográficos, não sendo suficiente para fortalecem a musculatura específica.

Powerhouse

O fortalecimento do centro de força, chamado de powerhouse no Pilates, auxilia no recrutamento dos músculos estabilizadores do tronco, melhorando o controle neuromuscular necessário para um bom controle postural. Isso porque um dos objetivos do método é realizar exercícios que fortaleçam os músculos estabilizadores da coluna e do quadril, garantindo a estabilidade do tronco durante a execução de movimentos.

 

CONCLUSÃO

Os resultados encontrados na comparação entre os dois grupos não revelaram diferenças significativas na condição de equilíbrio na Postura Estática. Porém, diferenças significativas foram encontradas nas condições Meia Ponta sobre os Dois Pés, Meia Ponta sobre Um Pé e Pivot. As bailarinas que não possuem treinamento específico com o método Pilates obtiveram maior amplitude de oscilação do centro de pressão. Além de maior velocidade de oscilação. Em todos os testes propostos, o grupo de bailarinas praticantes de Pilates esteve mais estável. O resultado, portanto, sugere a influência do método nas variáveis citadas.

As bailarinas já apresentam naturalmente uma postura mais estável que a população geral. Desta forma, pode-se acrescentar que houve ganho no controle postural ao incluir o Pilates à rotina de treinamento. Sendo assim, a prática do método traz benefícios e influencia positivamente em sua performance.

Em suma, o Pilates é um método que supre as necessidades da dança por haver aspectos similares entre as duas atividades. Em ambos os casos há a busca pela postura e a busca da excelência nos exercícios propostos. Como já referido anteriormente, as repetições dos movimentos coreográficos não preparam suficientemente o bailarino. Por isso, o Pilates pode ser uma opção interessante para fortalecer, melhorar o equilíbrio e garantir a melhora na performance.

Lívia Gariani – @pilatesdescomplicado

Bacharela em Ed. Física
Especialista em Fisioterapia Esportiva
Empresária – Proprietária do @iamstudiocuritiba
Professora de Pilates desde 2012.

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