O Pilates e a labirintite

A labirintite é a patologia mais conhecida dos tipos de distúrbios vestibulares periféricos. Apesar do seu nome ser o mais popular, ela não é a mais comum, uma vez que as labirintites são de causa infecciosa, bacteriana, viral ou tóxica.

A denominação correta para as patologias que afetam o sistema vestibular é labirintopatias ou vestibulopatias, e estas podem ser do sistema periférico ou central. A doença vestibular periférica é causada por disfunções no sistema nervoso periférico.

O equilíbrio corporal depende de informações geradas pelos sistemas vestibular, proprioceptivo e visual. Essas informações são integradas nos núcleos vestibulares e no cerebelo, permitindo a manutenção da postura ereta e a estabilização do campo visual. Alterações em qualquer um desses sistemas podem provocar a sensação de tontura, náusea e instabilidade postural.

Durante a fase da crise de uma vestibulopatia, deve-se procurar um médico e, a reabilitação vestibular, deve ser feita por Fisioterapeutas especializados na área. Após a estabilização do quadro, o Pilates é muito indicado por trabalhar importantes componentes do sistema vestibular, como por exemplo, a estabilização e mobilidade da cervical.

É importante que pessoas que sofrem ou sofreram destes distúrbios tenham um ponto fixo ao realizar o exercício, principalmente quando o corpo está em movimento. Em uma fase mais avançada, em que o quadro esteja totalmente equilibrado, movimentos dos membros superiores podem ser acompanhados com o olhar. Desta forma, estamos treinando alguns dos reflexos vestibulares e cervicais.

Trabalhar a propriocepção não é apenas colocar o aluno sobre o aero mat, bosu ou bola. A propriocepção neste caso inicia-se com os movimentos oculares, em seguida com a posição da cabeça, movimentos cervicais e, assim por diante, até que compreenda todo o corpo e o aluno seja capaz de utilizar uma superfície instável, se for realmente necessário.

É importante saber que ao receber um aluno que acabou de sair de uma crise de vestibulopatia, deve-se evitar os equipamentos que põe o corpo em movimento. Exercícios básicos como o Foot work no Reformer devem ser evitados, por causa do vai e vem do carrinho, colocando o sistema vestibular em situação de estresse. Modificações frequentes de posicionamento também devem ser evitadas.

A prescrição correta do exercício para um aluno que sofre com as labirintopatias é crucial para melhora ou piora do quadro clínico, portanto é necessário estudar cada aluno e reconhecer a hora correta de cada exercício. Pilates sempre! Mas com muita atenção.

Rebeca Sodré
Fisioterapeuta (CREFITO 120.411 – F)

Compartilhar:

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp

5 Comentários

Deixe um comentário

Quer receber novidades?

Inscreva-se na newsletter para receber conteúdos imperdíveis!

Botão
Revista Pilates

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.