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Mesmo exercício em equipamentos diferentes

Por: Natalia Boveiro

O método Pilates tem um enorme repertório de exercícios, onde podemos escolher um único movimento e executá-lo em todos os equipamentos.

Sim, isto é possível!

Porém, não significa apenas executar o mesmo exercício, em todos os equipamentos, sem critério algum. É necessário pensar, adaptar e levar em consideração a individualidade de cada equipamento, assim como as limitações e necessidades de cada aluno.

Não à toa Joseph Pilates criou vários equipamentos diferentes. Cada aparelho possui sua individualidade e suas próprias características mecânicas, onde o mesmo exercício terá objetivos e dificuldades diferentes. E por isso é preciso estudar, treinar e adaptar antes de decidir prescrever aquele exercício em determinado aparelho.

O Spine Stretch, por exemplo, é um movimento que pode ser realizado em todos os equipamentos, e em alguns deles até de maneiras e posicionamentos diferentes, além de ser executado também no solo!

Só no Cadillac, por exemplo, é possível realizá-lo em vários posicionamentos diferentes. Como, apenas sentado no estofado com as mãos na barra, ou sentado sobre uma bola, ou sobre a caixa do Reformer (adaptação para alunos com encurtamento nos isquiotibiais e/ou alunos que se sentam sobre o sacro), sentado no estofado do Cadillac com os pés apoiados na barra (variação mais avançada), dentre outras possibilidades.

No solo também podemos fazer inúmeras variações e adaptações utilizando acessórios. Os acessórios por sua vez, também mudam o nível de dificuldade e objetivo de cada exercício.

Continuando com o exemplo do Spine Stretch, podemos realizá-lo sem acessórios ou facilitá-lo, colocando uma caixa, banquinho, bola, para servir como assento, para facilitar a execução por alunos que possuam encurtamento muscular e/ou que se sentem sobre o sacro. Também é possível facilitar este movimento apoiando as mãos sobre uma bola e deslizando-as para frente, tirando assim a tensão dos membros superiores e facilitando o entendimento da posição dos braços e da mobilização da coluna em “C”, que é necessária para a execução deste exercício.

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Através do uso de acessórios, também conseguimos dificultar este mesmo movimento! Uma das opções seria com a tonning ball nas mãos, oferecendo resistência aos membros superiores e ainda com este mesmo objetivo de resistência poderíamos realizar o Spine Strech segurando uma bola ou abrindo uma faixa elástica.

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Viu quantas variações e adaptações podemos realizar em um mesmo exercício de solo utilizando vários acessórios diferentes. Porém, sempre levando em consideração os objetivos a serem trabalhados com cada acessório!

Essa mesma linha de raciocínio se aplica aos equipamentos! Pois, como já dito anteriormente, cada equipamento apresenta uma característica própria que pode auxiliar ou dificultar os movimentos nele executados.

O Cadillac pode ser considerado estável para alguns exercícios e desafiador para outros. Portanto, os movimentos que são realizados em pé, em cima do aparelho tornam-se mais desafiadores por conta da altura, porém sua base mais alargada favorece os movimentos na postura sentada ou deitada, proporcionando maior estabilidade (estratégia que pode ser muito bem utilizada para idosos).

O Reformer, por exemplo, proporciona certa instabilidade por conta de sua movimentação. Entretanto pode facilitar em outras questões, como em rolamentos de coluna. Quando realizamos o Roll-Down segurando nas alças do Reformer, o aparelho proporciona um estímulo sensorial pela movimentação exercida, facilitando o entendimento de rolamento de cada vértebra.

Nos movimentos realizados na Chair, é trabalhada a questão do controle de tronco, além da resistência oferecida pelo pedal junto à ação da gravidade!

O Barrel também possui suas características próprias. Por ser arredondado, proporciona instabilidade em alguns movimentos e em seu espaldar permite a realização de uma infinidade de exercícios! Muitos instrutores não utilizam e outros nem o possuem. Eu particularmente, gosto muito de trabalhar com o Barrel, pois quando adaptamos acessórios é possível aumentar a dificuldade de alguns exercícios tornando-os mais desafiadores.

Tendo em mente as individualidades e características de cada equipamento e levando em consideração as necessidades de cada aluno, é possível escolher de forma sábia qual aparelho ou acessório será melhor para atingir o objetivo proposto com o exercício que for selecionado, considerando que o mesmo exercício pode ser executado em todos os aparelhos, além do solo com a possibilidade de utilização de acessórios.

Há alguns artigos que comprovam cientificamente a diferença muscular e mecânica da execução de mesmos exercícios em equipamentos diferentes.

Um estudo realizado em 2018, com 18 praticantes de Pilates, teve o objetivo de calcular a variação da força humana nos aparelhos Chair e Reformer, durante o movimento de Footwork do Pilates e equiparar esta força ao final da fase de extensão de quadril e joelho em ambos os aparelhos. Na análise de resultado deste estudo, fica claro que a força muscular humana é produzida pelo mesmo grupo muscular tanto na Chair, quanto no Reformer. Porém, as excursões funcionais dos músculos são diferentes, pois a amplitude de movimento é maior no Reformer do que na Chair.

Foi possível, ainda, avaliar a variação da carga nos dois equipamentos durante o exercício de Footwork, onde se concluiu que devido às características mecânicas de cada aparelho, houve diferença no comportamento da resistência externa oferecido por cada um deles.

Este estudo pode nos provar então como é importante relacionar as características de individualidades de cada equipamento, ao exercício escolhido. Pois como podemos ver, o mesmo exercício (Footwork) executado em dois dos equipamentos do método Pilates (Chair e Reformer), obteve diferenças devidas suas individualidades mecânicas, pois o Reformer oferece uma amplitude de movimento maior do que a Chair. Além disso, como o exercício é executado na posição sentada na Chair, é trabalhado também o controle de tronco e toda musculatura envolvida para tal, sem contar a influência da gravidade neste posicionamento. Já no Reformer, o exercício é executado em decúbito dorsal e sem a ação de gravidade.

Podemos concluir que apesar de ser possível executar o mesmo exercício em equipamentos diferentes, assim como acessórios diferentes, é necessário o estudo da mecânica envolvida em cada equipamento, podendo adequar o objetivo a ser trabalhado de acordo com as individualidades de cada aluno e de cada equipamento.

Referências:

Bonezi A., Bona R., Cantergi D., Loss J. Determinação da carga externa no Pilates: comparação do Footwork na Chair e no Reformer. Ciência em Movimento. 2018; 19 (39): 71.

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