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Como fazer avaliação em novos alunos de Pilates?

Muitos instrutores possuem dúvidas de como realizar a avaliação no aluno que irá iniciar a pratica do Pilates e este problema, infelizmente, é encontrado em vários estúdios de Pilates.

Este artigo tem como objetivo principal auxiliar, de forma simples e objetiva, os instrutores a realizarem a primeira avaliação de seus alunos.

Já adiantando, é valido ressaltar que este momento é de fundamental importância e deve ser realizado antes da primeira aula de Pilates ou durante a aula experimental.

Primeiro contato com o aluno

O primeiro contato entre o aluno e o instrutor é extremamente importante, porque neste período o aluno está repleto de expectativas e curiosidades, pois é comum que a grande maioria chegue à aula experimental sem saber o que é o Pilates, ou com uma ideia totalmente diferente da realidade. Neste momento é importante que o aluno seja apresentado ao método, e o instrutor deve explicar no que consiste o Pilates, como funcionam as aulas, quais os benefícios que o método poderá trazer e ensinar seus princípios já na prática.
Não é interessante ficar explicando as origens do método, falar sobre Joseph e tudo mais, pois o praticante não está interessado em saber o histórico e sim saber de seus benefícios e se o Pilates atenderá suas necessidades!

Assim que apresentado ao método, o aluno deverá relatar seus principais objetivos ao instrutor.

Como instrutor, você pode fazer algumas perguntas comuns, como:

– Como você conheceu o Pilates?
– Já fez Pilates alguma vez? Já viu fotos, vídeos?
– Quais são seus objetivos ao realizar a pratica do método?
– A procura pelo método foi por indicação médica?

Essas informações irão direcionar o instrutor ao início da avaliação.

Anamnese

Esta etapa da avaliação consiste na entrevista realizada com o aluno, ou seja, é o conjunto de informações obtidas pelo profissional por meio de uma entrevista previamente esquematizada.

Nesta entrevista devem ser inclusos elementos como:

– Queixa principal: Este item está relacionado aos relatos do aluno que o levaram a procurar o método Pilates. Inclui seus objetivos e sintomas.

– História da moléstia atual: Este tópico é uma ampliação da queixa principal, onde há uma ordem cronológica e detalhada dos sintomas relatados pelo aluno.

– História da moléstia pregressa: Consiste em sintomas e fatos ocorridos no passado que possuam relação com a queixa principal apresentada. Este tópico é importante, pois pode nos mostrar de onde se originou o atual problema.

– História profissional – ocupacional: Relaciona-se com a ocupação profissional do individuo. Este item é de extrema importância para analisar se a queixa está relacionada com a atividade exercida pelo mesmo.

– Antecedentes pessoais: Informações sobre a presença de hipertensão ou hipotenção, diabetes e outras patologias que podem se relacionar com a queixa principal e que seja de fundamental consentimento pelo instrutor para a prescrição de exercícios.

 – Lazer: É necessário que o aluno informe suas ocupações para que a partir daí possamos avaliar o sedentarismo. Saber se ele pratica alguma outra atividade, para que possamos traçar a conduta adequada de acordo com seu perfil.

A partir das informações apresentadas pelo aluno, damos inicio a avaliação postural.

 

Avaliação Postural

Porque realizar uma avaliação postural antes de iniciar o método Pilates?

Quando dizemos que uma aula é personalizada, isso não quer dizer somente que cada aluno fará exercícios diferentes, e sim que os exercícios passados serão de acordo com as necessidades por ele apresentadas. Portanto, a avaliação postural se torna imprescindível para identificar as principais necessidades e limitações de cada aluno.

Essa questão deve ser esclarecida ao aluno antes de iniciar a avaliação. Mostrando a ele que os exercícios serão planejados devido à disfunção que este apresentar.

Antes de começarmos a avaliação, vamos entender um pouquinho sobre o conceito de postura!

Podemos afirmar que a postura é o correto alinhamento do corpo no espaço, sendo assim, a avaliação postural deve determinar se um segmento corporal ou articulação desvia-se de um alinhamento postural ideal.

A avaliação postural segue como base a postura padrão a qual se refere a uma “postura ideal”, onde os segmentos corporais estarão alinhados com o mínimo de esforços e sobrecargas, conduzindo a eficiência máxima do corpo.

Para a avaliação é necessário pedir ao aluno que compareça com roupas adequadas, para que se torne possível a visualização dos devidos seguimentos corporais e possíveis desvios. Pode-se posicionar o aluno á frente de um posturógrafo/simetrógrafo para facilitar a observação das alterações posturais.

Outra alternativa para a avaliação pode ser o registro de fotografias. Assim o profissional poderá analisar mais detalhadamente e com mais calma utilizando o tempo que for necessário para poder identificar as principais alterações de seu aluno. Além desta vantagem, fotografias podem ser utilizadas para mostrar a evolução e melhora de cada aluno, podendo fazer reavaliações e comparação os resultados obtidos.

Como realizar a avaliação postural?

O aluno deve ser analisado nas vistas anterior e posterior, além das laterais direita e esquerda.

Nas vistas anterior e posterior, serão mais bem observados os desvios laterais. E na vista lateral é possível a visualização de desvios ântero-posteriores.

Podemos iniciar a avaliação no sentido céfalo-caudal, observando primeiramente as inclinações laterais, rotações e protrusão/retração da cabeça. É necessário que o aluno esteja à vontade, evitando assim possíveis auto correções.

Analisando os ombros, podemos observar se há depressão/elevação de um ombro em relação ao outro e/ou se os ombros estão protusos ou retraídos.

Seguindo no sentido céfalo-caudal, analisaremos se a linha Alba está alinhada, assim como a cicatriz umbilical que poderá estar desviada ou alinhada.

Na visão anteroposterior, avaliamos a angulação dos cotovelos podendo identificar se apresentam deformidades como varo ou valgo. Além disso, observamos os famosos triângulos de Talles, que consistem no “triangulo” formado entre o tórax e o antebraço. Se este triângulo estiver maior em um dos lados, poderá indicar a presença de escoliose.

Na visão posterior pode-se avaliar toda a coluna vertebral! Neste momento é importante a palpação para sentir os possíveis desvios que podem estar presentes, como por exemplo: hipercifose torácica, hiperlordose lombar, escoliose, entre outros desvios posturais. Além da coluna, as escápulas devem ser observadas podendo estar: elevadas, deprimidas, aduzidas, abduzidas.

Descendo os olhos, chegamos à pelve, onde devemos observar as cristas ilíacas para identificar se há alguma assimetria do quadril, onde poderá haver inclinações e rotações. E ainda pode-se observar anteversão e retroversão da pelve.

Logo abaixo analisamos os joelhos. As principais deformidades encontradas nesta articulação são os joelhos varo ou valgo!
No varo os joelhos estão afastados e os tornozelos próximos. No valgo ocorre a situação inversa, onde os joelhos estão próximos e os tornozelos afastados.
Na visão lateral observamos se o joelho está fletido ou hiperextendido. Lembrando que temos uma hiperextenção fisiológica normal que pode ir até 10º.

Por último é hora de observar os tornozelos e pés. Neste momento avaliamos se os pés estão aduzidos, abduzidos, cavos ou caídos.
Ainda no tornozelo é possível observar o ângulo tíbio-társico (angulação formada pela tíbia e o pé), o qual é normal um ângulo de 90º.

Esta avaliação é necessária para identificarmos as principais alterações posturais que podem estar relacionadas à dor do nosso aluno, e é a partir dela que podemos organizar o plano de tratamento de forma correta traçando objetivos e condutas a ser aplicadas ao aluno.

Avaliação Dinâmica

Além da avaliação postural estática apresentada, é extremamente importante a realização de uma avaliação dinâmica. Pois estamos em constante movimento durante o dia-a-dia e estes movimentos necessitam ser avaliados, pois muitas das vezes a dor pode ser originada por movimentos executados com compensações, ou até mesmo porque um segmento pode estar simétrico de forma estática e apresentar assimetria no momento em que se movimenta.

A avaliação dinâmica consiste em avaliar a forma em que o corpo se comporta em movimento. Posturas desequilibradas têm reações compensadoras, e o objetivo desta avaliação é identificar estas compensações e poder corrigi-las.

Na avaliação dinâmica observamos aspectos como flexibilidade, mobilização, coordenação, estabilidade, equilíbrio, força muscular e simetria durante o movimento. Como a avaliação está sendo feita antes do início dos trabalhos, avaliaremos o aluno com os próprios movimentos do Pilates.

Dessa forma, devemos escolher um repertório de exercícios que possam facilitar a visualização dos segmentos com a mobilidade, flexibilidade e força de cada um deles. Não esquecendo de observar se há compensações em outro segmento para ser possível a realização do movimento.

Alguns exemplos de exercícios que podem ser realizados nesta fase são:

– Roll Down: Neste exercício pode-se observar a mobilização da coluna, alongamento de cadeia posterior, e possíveis desvios.

– Swan: Com este exercício é possível avaliar a amplitude de movimento articular e o grau de força na musculatura extensora.

– Roll Up: Avaliação da força muscular de flexores de tronco (abdominais) além da mobilização de coluna e alongamento da cadeia posterior. 

– Bridge: Neste movimento avaliamos a força muscular de cadeia posterior, amplitude de movimento e identificamos compensações como assimetrias, desvios e tensões.

Lembrando que estes movimentos são apenas um exemplo de exercícios do método Pilates que podem ser utilizados durante a avaliação dinâmica. A escolha dos exercícios irá depender do aluno, de sua patologia e das informações obtidas anteriormente com a anamnese e avaliação postural.

Conclusão

Todas as etapas de avaliação devem ser realizadas, pois uma complementará a outra. Sendo assim, inicia-se com anamnese, seguindo para avaliação postural estática e termina-se com avaliação dinâmica.

Conclui-se então que a avaliação é extremamente necessária e importante para traçar o tratamento do aluno. Sem ela, não é possível identificar as necessidades de cada aluno e assim os objetivos podem não ser alcançados.

Gostou da super dica da Natalia Boverio, sobre as avaliações necessárias para clientes recém-chegados? Então compartilha com alguém e visite o perfil dela, clicando aqui.

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