A postura com o passar do tempo – Parte I

Um dos grandes benefícios da prática do método Pilates é a melhora da postura. Inicialmente o método utilizava a coluna retificada, isto é, buscava uma coluna plana como referência de boa postura.

Atualmente, através de estudos científicos, o método Pilates busca manter as curvaturas naturais da coluna. Mas por que devemos manter essas curvas? Para entendermos esse assunto, a Educadora Física Marcela Piston irá falar um pouquinho sobre a evolução postural do homem.

A posição ereta do homem só foi possível pelas modificações que surgiram na coluna. Tais mudanças ocorrem, não apenas por opção, mas sim por necessidade de sobrevivência. A cabeça deve se equilibrar na porção superior da coluna e dessa maneira permitir que os olhos fiquem voltados à frente. Como a cabeça e o tronco tiveram que se equilibrar sobre os membros inferiores através da cintura pélvica e o corpo todo se apoiar nas plantas dos pés, o centro de gravidade acabou sendo alterado.

Tais mudanças só foram possíveis devido ao aparecimento das curvas lordóticas secundárias: lordose cervical e lordose lombar, que desempenharam papel fundamental no aparecimento de massa muscular. Desta maneira desenvolveu-se uma força antigravitacional que permitiu que os primatas se erguessem do chão, mantessem a postura ereta e andassem. Esses atos eram voluntários comandados pelo SNC e com o passar dos séculos se transformaram em atos regulados pelo sistema nervoso involuntário e pelo sistema fuso muscular.

De acordo com KNOPLICH (2003), quando o homem ficou em pé, a função da pelve ficou muito mais complexa. O assoalho pélvico teve que aumentar sua eficiência, se dividindo em camadas de músculos que se cruzaram para dar mais sustentação.

Esse é um dos motivos do seu instrutor de Pilates sempre pedir o acionamento dessa musculatura. O ideal é que assoalho pélvico seja acionado apenas cerca de 20 a 25% de sua força total para uma boa estabilização.

Atualmente estudos mostram a evolução da postura através do crescimento. No útero o feto tem uma postura cifótica e no pós-natal (nas primeiras semanas) começa a aparecer uma musculatura antigravitacional formando a lordose cervical. Aos nove meses surge a musculatura da região lombar, onde a criança começa a engatinhar e a sentar. Durante os primeiros dois anos de vida as vértebras lombares crescem rapidamente e, como consequência, o alongamento da coluna lombar e o aumento dos glúteos o deixam em pé. Dos 10 aos 12 anos é o período mais estático, que coincide com o início do arranco do crescimento.

Para KENDALL, uma postura boa ou ideal é a posição do corpo que envolve o mínimo de estiramento e de estresse das estruturas corporais, com o menor gasto de energia para obter o máximo de eficiência no uso do corpo. Esses autores acreditam que usar linhas como referência passando no meio do corpo, tanto em vista anterior, posterior e lateral, pode-se obter uma postura estática padrão, desde que essa linha postural coincida com a linha de gravidade (Linha de prumo).

Já Palmer & Apler (2000) definem a postura correta como o “alinhamento do corpo com eficiências fisiológicas e biomecânicas máximas, o que minimiza os estresses e as sobrecargas sofridas ao sistema de apoio pelos efeitos da gravidade”.

Isto quer dizer que as curvas da coluna existem para diminuir o impacto causado pela ação da gravidade, além de oferecer mais eficiência muscular.

Cada pessoa apresenta características individuais de postura, que pode vir a ser influenciada por vários fatores:

– Anomalias congênitas e/ou adquiridas;
– Obesidade;
– Alimentação inadequada;
– Excesso de exercício físico;
– Sedentarismo;
– Atividades físicas sem orientação e/ou inadequadas;
– Distúrbios respiratórios;
– Desequilíbrios musculares;
– Frouxidão ligamentar;
– Doenças psicossomáticas.

A postura também pode ter relação com os seguintes aspectos:

Socioculturais: Cada cultura pode adotar diversos hábitos posturais, tais como formas de dormir, lugares onde dormir, formas de caminhar, dançar, sentar, vestimentas.

Psicológicos: Percepção pessoal em relação ao mundo. Como a pessoa se sente e se porta em relação aos outros e perante certas situações. Estas atitudes geralmente estão associadas à personalidade de cada um.

Biológicos: São as características biológicas de cada ser humano. Aspectos anatômicos (largura, comprimento e forma dos ossos), fisiológicos (níveis de flexibilidade, força, resistência, etc.), genéticos (diferentes etnias), e biomecânicos (funcionalidade do movimento).

Nas aulas de Pilates buscamos exatamente reequilibrar o corpo, alinhar e restaurar as estruturas corporais próximas ao ideal, para que o corpo seja o mais eficiente possível, através de um trabalho individualizado, pois não podemos deixar todas as questões citadas anteriormente despercebidas.

Por isso é importante escolher um bom profissional, afinal mesmo no Pilates podemos nos lesionar ou dar mais ênfase aos desvios posturais, devido à má escolha dos exercícios.

Referências Bibliográficas:

Knoplich, J. – Enfermidades da coluna vertebral: Uma visão clínica e fisioterápica. São Paulo, Robe editorial, 3ª Edição, 2003.

Kendall, H. O.; Kendall, F. P.; Boynton, D. A. – Posture and pain. N. York, Krieger, 1977.

Profª Esp. Marcela Piston
Full Certification STOTT Pilates
Coordenadora dos Studios Showa Pilates +Funcional e Showa SuperCore
Coordenadora técnica da equipe de docentes da Pilates Institute

Compartilhar:

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp

Deixe um comentário

Quer receber novidades?

Inscreva-se na newsletter para receber conteúdos imperdíveis!

Botão
Revista Pilates

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.