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Saiba mais sobre funcionalidade cervical

Hoje nossa abordagem será sobre a coluna cervical, uma das regiões de principal queixa de dor ou desconforto por nossos alunos e pacientes.

A coluna cervical tem por sua função gerar estabilidade, manter a cervical na posição neutra atuando sobre as forças da gravidade, sofrendo constantes perturbações devido a ação do tronco, membros superiores e inferiores. Sua função pode ser prejudicada devido alterações no SNC pelo quadro álgico, assim como por alterações musculoesqueléticas e mecânicas provenientes de outras articulações com função deficitária.

Sabemos que nosso corpo funciona de forma integrada, ou seja, todas as nossas articulações precisam estar em sincronia desenvolvendo suas funções de forma eficaz, este é o segredo para prevenir lesões. Para explicar melhor a relação entre as articulações vamos observar o quadro abaixo que explica a função de cada articulação:

Articulação

Função

Coluna Cervical

Estabilidade

Ombro

Mobilidade

Cintura Escapular

Estabilidade

Coluna Torácica

Mobilidade

Coluna Lombar

Estabilidade

Quadril

Mobilidade

Joelho

Estabilidade

Tornozelo

Mobilidade

A deficiência de uma articulação pode ser responsável por dores ou patologias decorrentes da própria articulação ou articulações acima ou abaixo da lesão. Logo, nota-se a necessidade de avaliação do individuo como um todo, considerando o quadro patológico, suas queixas e limitações, porém é importante buscar o que levou a este quadro, quais funções estão alteradas, quais músculos estão tensionados, fracos ou encurtados e como este corpo se movimenta, que estratégias de compensação ele utiliza.

Para avaliar a coluna cervical devemos levar em consideração a posição da cabeça, suas amplitudes de movimento, força dos músculos que envolvem a coluna cervical e considerar o equilíbrio entre os músculos profundos (estabilizadores) e superficiais (mobilizadores), além de levar em consideração a mobilidade da fáscia e da coluna, assim como a avaliação funcional de todos os padrões de movimento.

Abaixo podemos observar o posicionamento da cabeça e como a posição inadequada pode acarretar em outras alterações posturais, musculoesqueléticas e mecânicas, além do aumento da sobrecarga atuante na coluna.

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Alterações na coluna cervical também poderão implicar em alterações da função circulatória cefálica, alterações do sistema vestibular e alterações respiratórias devido a compressão de algumas estruturas localizadas na região cervical.

Vamos observar na figura a seguir que a alteração na posição da cabeça, normalmente estará acompanhada de outras alterações da coluna, cintura escapular e cintura pélvica, influenciando também na projeção do tronco para frente, para trás, sua inclinação e rotação levando a diversos desequilíbrios musculares.

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O mais comum entre indivíduos com queixa de dor cervical é a Síndrome do Quadrante Superior onde os músculos superficiais como o trapézio superior, elevador da escapula e peitoral encontram-se superativos e encurtados. E os músculos flexores cervicais profundos, trapézio médio e inferior, rombóides e serrátil encontran-se inibidos e fracos. Neste caso 3 articulações perderam suas funções. A cervical perde sua função de gerar estabilidade, o ombro perde sua função de gerar mobilidade e a cintura escapular perde sua função de gerar estabilidade.

Desequilíbrios musculares X Coluna Cervical

1º A fraqueza da musculatura do core para manutenção da postura irá ocasionar maior tensão nos músculos superficiais, podendo gerar quadros de dor local e rigidez do tronco e demais articulações, além de padrões de movimentos alterados.

2º Considerando que nosso corpo funciona através de cadeias musculares, ao apresentar encurtamento dos músculos da cadeia anterior do tronco os músculos da cadeia posterior se encontraram fracos e inibidos gerando anteriorização da cabeça e dores de cabeça.

3º A tensão da musculatura posterior do tronco pode ocasionar hiperlordose cervical, encurtamento dos músculos profundos da cabeça e dores de cabeça.

4º A rigidez da coluna torácica ao ter sua função deficitária de mobilidade pode ocasionar maior mobilidade na coluna cervical resultando em maior tensão dos músculos superficiais.

5º A falta de flexibilidade da fáscia também pode influenciar em patologia cervical já que ao estar tensionada poderá gerar quadro álgico local ou referido.

Como podemos tratar?

1º Fortalecimento do core e trabalho de mobilidade da coluna e demais articulações associados ao treinamento de padrões de movimento fundamentais.

2º Fortalecimento do core com coluna neutra, trabalho de fortalecimento da cadeia posterior e mobilidade da cadeia anterior do tronco.

3º Trabalho de mobilidade de coluna, fortalecimento dos músculos profundos da cabeça através movimentos com pequenas amplitudes.

4º Trabalho de mobilidade da coluna torácica e estabilidade da coluna cervical, pompage cervical e alongamento ativo.

5º Trabalho de mobilidade e liberação miofascial.

Considerações Finais:

É imprescindível compreender os processos patológicos, entender a funcionalidade de cada articulação e como este corpo se movimenta.

Andréia Souza

Fisioterapeuta. Pós Graduanda em Fisiologia do Exercício. Instrutora de Pilates e Treinamento Funcional no Studio Stylo Beach Pilates em Florianópolis. Formação em Pilates Contemporâneo. Pilates Solo Multifuncional. Estabilização Clínico Funcional. Treinamento Funcional Core 360. Treinamento Integrado Mormaii Fitness. Suspensus, entre outras formações relacionadas ao método Pilates. Treinadora Voll Pilates Group dos cursos Espaço Vida Pilates e Pilates Avançado.

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