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A pelve neutra do Pilates

Constantemente, nas aulas de Pilates, os professores instruem seus alunos a posicionar a pelve neutra para grande parte dos movimentos. Esse alinhamento surgiu no Pilates devido a sua atuação benéfica para postura. Referências nesse conceito já relatavam a importância do posicionamento da pelve há muito tempo, indo de encontro a alguns relatos de Joe Pilates sobre a saúde da coluna.

Para Joe Pilates, uma coluna se torna forte e flexível quando não existem curvas nela. Em seu livro ele relata que ”em virtude da má postura, praticamente 95% de nossa população sofre de vários graus de curvatura; em uma criança recém nascida as costas são planas porque a coluna é reta; é exatamente a intenção da natureza, não apenas na infância…”(PILATES, J.H, traduzido por PANELLI.C, 2010).

Mas afinal, o que é pelve neutra? Será que todo mundo tem os mesmos ângulos de alinhamento? Será que em todos os exercícios devemos usar a pelve neutra? A proposta dessa leitura é apresentar, junto à literatura, explicações de todas essas questões e explanar os conhecimentos sobre a pelve neutra do Pilates.

Para KENDALL; MACCREARY E PROVANCE 1995, a pelve neutra ocorre quando a espinha ilíaca ântero-superior e o púbis estão no mesmo plano coronal. Nesta posição, o sacro realiza movimentos recíprocos com a quinta vértebra lombar; a região lombar apresenta a lordose natural, com ápice da concavidade em L3; e o sacro repousa em flexão. No Pilates observamos esse alinhamento quando posicionamos, por exemplo, a mão entre as espinhas ilíacas antero superiores e o púbis, formando um triângulo. Quando olhamos para a mão devemos observar que o dedo indicador que está próximo ao púbis está na mesma altura do dedo polegar que está próximo as espinhas ilíacas. Os músculos que mantêm bom alinhamento da pelve, tanto antero- posterior quanto lateralmente, são de importância vital na manutenção de um bom alinhamento geral, o posicionamento neutro da pelve é chave para o alinhamento postural bom ou defeituoso.

O equilíbrio entre os músculos globais e locais do powerhouse garantem melhor distribuição de carga dentre as estruturas da coluna e o correto alinhamento da pelve. Um desempenho inadequado dessas musculaturas pode desenvolver, a curto ou a longo prazo, lesões na coluna lombar. As curvas na coluna são responsáveis por dar força, impedir a sobrecarga em áreas específicas e garantir a mobilidade da coluna. Cada curva tem seu ângulo específico, sendo na lombar dentro de um ângulo de 20 a 6o graus de lordose; na torácica entre 20 e 40 graus de cifose e na cervical entre 25 e 35 graus de lordose. Cada curvatura tem suas proeminências, sendo na lombar em L3; na torácica em torno da T8 e na cervical entre a C3 e C4.

Nem todos possuem esse padrão de alinhamento e devemos respeitar a individualidade de cada um para entender o alinhamento neutro de pessoa para pessoa. O melhor alinhamento é aquele no qual as articulações repousam de forma eficaz, sem tensão, e depois do movimento voltam ao seu correto posicionamento, ganhando assim estabilidade, tanto dinâmica quanto estática.

Muitos alunos não conseguem posicionar sua coluna no alinhamento neutro, tanto em decúbito dorsal como em decúbito ventral, ou em pé, e acabam por realizar movimentos compensatórios na coluna, podendo, devido a disfunções musculoesqueléticas, causar danos nas estruturas articulares e sobrecarregar de forma progressiva os discos intervertebrais. Para evitar essa sobrecarga e garantir eficiência no movimento, surgiu um alinhamento compensatório que tem como principal objetivo aumentar a atividade dos músculos do powerhouse e garantir maior conforto ao aluno para execução dos movimentos. Esse alinhamento recebe o nome de Imprint, que consiste num encurtamento dos oblíquos, sem ativação dos glúteos, causando uma flexão de pequena amplitude da coluna lombar e, consequentemente, uma inclinação posterior de pelve. Esse alinhamento deve ser feito quando existe uma fraqueza muscular, encurtamentos, grande massa glútea, uso excessivo dos extensores de coluna e hiperlordose.

Na posição de decúbito dorsal, quando os membros inferiores estão fora do chão, em cadeia aberta, o desafio para a pelve é grande. Por isso, a pelve imprint no início será necessário para não sobrecarregar a coluna e causar movimentos errôneos na mesma. O uso da pelve imprint, como já relatado, é um alinhamento compensatório e deve ser usado apenas nos casos citados, logo, sua utilização não deve ser permanente a ponto de se excluir o alinhamento neutro da rotina do aluno.

A pelve neutra no Pilates é usada, na grande maioria das escolas do método, até mesmo em outras modalidades de exercícios, como a musculação e a ginástica. Maior parte dos movimentos dos membros superiores e inferiores desafia a estabilidade da coluna como um todo e a musculatura que envolve essa coluna, tanto a mais superficial como a mais profunda, é de suma importância. KENDALL; MACCREARY E PROVANCE 1995, relatam que os músculos têm um papel de, além de movimentar o corpo, suportar as estruturas esqueléticas, por isso, é preciso compreender o posicionamento neutro da coluna na posição estática e também na posição dinâmica. Assim podemos compreender os encurtamentos e fraquezas de cada aluno e programar o seu treino de forma mais segura e eficaz.

A pelve neutra de cada um obedece a história e composição corporal individual, por isso é preciso personalizar para se conquistar resultados efetivos com esse posicionamento e diminuir as cargas imprecisas impostas em cada segmento da coluna e nas articulações em geral. Afinal, toda articulação possui o seu alinhamento neutro e este deve ser respeitado de forma fisiológica e funcional.

Existe uma série de comandos verbais, visuais e táteis para ajudar os alunos a encontrar a pelve neutra. O fato é que o professor deve estar atento ao correto posicionamento e usar de feedbacks claros e individuais, a fim de estimular, além do posicionamento da pelve, a correta ativação da musculatura para manter esse alinhamento e assim ensinar para o aluno, tornando– o autônomo e eficiente nesse posicionamento, sem nenhuma sobrecarga ou fadiga excessiva.

Victor Valente
Educador Físico Cref: 074605- G/SP

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