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O Pilates clássico na atualidade II

*Esta é a parte dois. Confira também a parte I clicando aqui.

Entendo que o Pilates é, entre outras coisas, uma linguagem. Como toda linguagem organiza-se em um sistema de signos (representação simbólica) que são expressos em conceitos próprios, em imagens próprias e principalmente em um repertório de gestos próprios (técnica). Toda linguagem mantém uma estreita relação com a cultura. Se, por um lado, as várias linguagens fixam e passam adiante os produtos do pensamento humano sob a forma de ciência, técnicas e artes, elas também sofrem as influências das modificações culturais.

Já a contrologia, hoje conhecida por todos simplesmente como Pilates, organiza sua estrutura de linguagem (conceitos, imagens, gestos, técnica) a partir de um referencial cultural de valores e princípios nos quais Joseph Pilates acreditava. Todo o seu repertório de linguagem foi edificado e organizado para levar o praticante a ter um determinado tipo de experiência psicofísica. Por isso caracteriza-se por um sistema único e indivisível, organizado e estruturado de maneira com que cada exercício se articule com o outro, em uma sequência coerente com o desenvolvimento neuropsicomotor.

Será que temos consciência que a flexibilidade de uma linguagem como a do Pilates deve ser diferente da flexibilidade da moda? Será que temos consciência que qualquer tipo de alteração aleatória, sem conhecimento, pode na verdade alterar também o seu objetivo final?

Retomando a questão anterior, relacionada à garantia de que Romana Kryzanowska, Jay Grimes e Kathy Grant falavam a mesma língua apesar das diferenças, entendo que mora na consciência de cada um deles de que é somente por meio da técnica específica, dentro de um processo sistemático(método) que levamos o aluno a um certo nível de experiência psicofísica de acordo com o objetivo central proposto por Joseph Pilates (coordenação de corpo, mente e espírito). Caso contrário, corre-se o risco de estarmos falando outra língua.

Aproveitando a abordagem sobre o conceito de linguagem, gostaria de sublinhar a necessidade do esforço de toda a comunidade que trabalha com o Pilates no sentido de aprendermos a dialogar. Qualquer esfera da produção de conhecimento só se desenvolve a partir dessa premissa. O mundo do Pilates é um mundo cheio de estrelismo e de herdeiros diretos de Joseph Pilates que brigam pela posse de uma herança que, no fundo, é um patrimônio histórico da humanidade.

Essa iniciativa cabe a todos, e principalmente àqueles que estão com os bastões nas mãos. Muita coisa se esconde nesse mundo, muita coisa é mantida a sete chaves. Por quais razões? Em benefício do método? Ou benefício próprio?  Não seriam esses, a falta de diálogo e humildade, os motivos principais do risco do Pilates se transformar em mais uma mercadoria no mundo fitness?

ALEXANDRE LUZZI
SÓCIO PROPRIETÁRIO NA ESCOLA DE PILATES CLÁSSICO TAI KEN

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