Cuidados Paliativos e Pilates

Cuidados Paliativos (CP) é a abordagem que promove qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através de prevenção e alívio de sofrimento. Requer a identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual. OMS, 2002

Em cuidados paliativos, o fisioterapeuta, a partir de uma avaliação, vai estabelecer um programa de tratamento adequado com utilização de recursos, técnicas e exercícios objetivando, através da abordagem multiprofissional e interdisciplinar, alívio de sofrimento, de dor e outros sintomas estressantes e também oferecer suporte para que os pacientes vivam o mais ativamente pos¬sível, com qualidade de vida, dignidade e conforto; além de dar suporte para ajudar os familiares na assistência, propriamente dita, ao enfermo no enfrentamento da doença e no luto. (Marcucci, 2004)

Em todas as propostas de assistência em Cuidados Paliativos vale ressaltar a inclusão de conceitos e orientações do autocuidado também aos familiares, principalmente quando sabemos que nos defrontamos, frequentemente, com uma população de cuidadores desgastada física e emocionalmente.

De acordo com o Consenso Brasileiro de Fadiga, uma das abordagens para seu tratamento em pacientes com câncer é exercício físico. Entre as intervenções não medicamentosas, os exercícios são os únicos que apresentam fortes evidências da sua efetividade no manejo de condições clínicas que ameaçam a vida, como câncer de mama, próstata, além de outros tumores sólidos (Cheville, 2009, Mitchell, Beck ET AL., 2007, Mustian, Morrow ET AL., 2007, Kirshbaum, 2010) e esclerose múltipla (Neill, Belan et AL., 2006).

Os exercícios devem ser indicados para o tratamento da fadiga nos pacientes em cuidados paliativos, pois a fadiga produz um ciclo onde a hipoatividade leva à diminuição do condicionamento e força muscular, gerando por sua vez menor tolerância à atividade física, intensificando os sintomas da fadiga. (Dimeo, Rumberger et AL, 1998, Dimeo, Schwartz et AL, 2008, , Batta¬glini, Bottaro, et AL 2006, Dimeo, 2001, Stasi, Abriani et AL, 2003) Esse ciclo só é interrompido com a introdução de atividade física, melhorando assim o condicionamento e força muscular.

 

Fonto: unipe.br/blog

O método Pilates vem cuidar desse novo grupo de pessoas, além dos que já abraça, como: idosos, crianças, grávidas, atletas e aventureiros. Pessoas que estão em uma fase muito delicada da vida, passando por momentos de muitas perguntas, às vezes angústias, dores e tratamentos com efeitos colaterais desconfortáveis. A pessoa com câncer ou doença crônica sem possibilidade de cura se enquadra nos Cuidados Paliativos, pois necessita de tratamentos diferenciados, cuidados específicos e manejo delicado dos sintomas.

Sabemos que o Pilates como atividade física trabalha força muscular, funcionalidade, flexibilidade, centramento, postura, responsabilidade, conscientização corporal e respiração, entre outros aspectos, resultando na melhora da performance nas atividades da vida diária ou atividades recreativas e esportivas. Em CP o Pilates atende a pessoa com a enfermidade assim como o cuidador ou o familiar.

Geralmente o trabalho é realizado individualmente ou em grupos pequenos, facilitando o contato próximo e assertivo, atendendo às necessidades pontuais e trazendo benefícios emocionais e físicos. A pessoa está inserida em um contexto social de troca saudável, leveza e bem estar. Os efeitos físicos incluem o alívio da fadiga e das dores, melhora do quadro geral de disposição, aumento da autoestima, melhora da performance nas atividades diárias – subir uma rampa, sair do carro, levantar da cama, visitar familiares, tomar banho, se cuidar de uma forma geral com menor grau de comprometimento de suas atividades sociais e físicas e maior grau de independência.

No Brasil, as atividades relacionadas a Cuidados Paliativos ainda precisam ser regularizadas na forma de lei. Em nosso pais ainda impera o desconhecimento e muito preconceito relacionado aos Cuidados Paliativos, principalmente entre os médicos, profissionais de saúde, gestores hospitalares e poder judiciário. Ainda se confunde atendimento paliativo com eutanásia e há um enorme preconceito com relação ao uso de opióides, como a morfina, para o alívio da dor.

Ainda são poucos os serviços de Cuidados Paliativos no Brasil. Menor ainda é o número daqueles que oferecem atenção baseada em critérios científicos e de qualidade.  A grande maioria dos serviços ainda requer a implantação de modelos padronizados de atendimento que garantam a eficácia e a qualidade.

Ainda hoje, no pais, a graduação em medicina não ensina ao médico como lidar com o paciente em fase terminal, como reconhecer os sintomas e como administrar esta situação de maneira humanizada e ativa. A ANCP prevê que, nos próximos anos, essa situação deverá mudar rapidamente. Com a regularização profissional, promulgação de leis, quebra de resistências e maior exposição na mídia haverá uma demanda por serviços de Cuidados Paliativos e por profissionais especializados.

Fonte: pilatesstudiosaude e paliativo.org.br

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