Matéria - Abordagem Psicossomática

O Método Pilates como uma abordagem Psicossomática (Parte III)

Por último, Panelli e Marco declaram que o princípio da precisão é fator determinante para nossa saúde e bem-estar, e está intimamente relacionado à nossa postura, porém, para que isso aconteça, à mente deve estar alerta a cada movimento, com enfoque na qualidade e não na quantidade dos exercícios (2006).

Por isso, o Método Pilates, indissociável dos seus princípios básicos, tanto busca desenvolver o equilíbrio músculo-esquelético, a respiração adequada e o alinhamento postural, quanto, mediante a prática regular dos exercícios, permite uma tomada de consciência dos hábitos errôneos no funcionamento do corpo habitual, convertendo assim, as atividades automáticas em atividades conscientes (PANELLI e MARCO, 2006; GRAIG, 2009).

Siler (2008) pondera que os movimentos do método Pilates podem parecer desconectados da rotina, porém, afirma que com paciência e persistência, é possível compreender que eles são meras ferramentas para “pensar o corpo”. Que uma vez aprendidos, o controle muscular pode ser aplicado a qualquer função de movimento corporal, bem como, restabelecer uma conexão com a mente de maneira criativa, eficiente e prazerosa.

Vishnivetz discursa sobre estar adormecido ou dissociado de seu próprio corpo e indica que “O indivíduo deve tomar consciência desse estado para poder mudar e para abrir-se às possibilidades de entrar em contato com suas sensações corporais ou com sua situação. É um dos caminhos para restabelecer o verdadeiro self e viver uma vida real” (1995 p.184).

Pensando nisso, quando o ser humano percebe que se mantém vivo graças à inter-relação dos aspectos físico, biológico, psicológico, social e cultural e, que deve integrá-los de forma harmoniosa ao funcionamento do todo – pois não se pode pensar em sobrevivência de um organismo isolado – passa a entender que está ligado a outro ser, compreende as mudanças do meio ambiente e se adapta a transformações em uma contínua troca entre o mundo interior e exterior.

Capra (1982) apud Panelli e Marco (2006), relatam que a medicina tradicional valoriza os processos biológicos e fisiológicos que produzem a enfermidade, enquanto que a preocupação holística está relacionada ao contexto sociocultural em que ela ocorre. Logo, do ponto de vista sistêmico, a doença resulta da falta de sincronia do indivíduo consigo mesmo e com o mundo ao seu redor. Nesse sentido, a manutenção da saúde esta relacionada ao comportamento, à alimentação e à interação harmoniosa do homem com o seu meio.

Assim, Pilates (1998) afirma que um bom condicionamento físico do corpo também é saúde, pois torna mais eficiente nosso trabalho diário, tanto mental como fisicamente, mediante a obtenção e a manutenção de um corpo desenvolvido uniformemente, totalmente capaz de natural, fácil e satisfatoriamente realizar numerosas e variadas tarefas diárias com gosto e prazer.

Concordante com essas idéias, Ackland reporta que o Método Pilates se difere de algumas formas de exercício pelo fato de ir além do meramente físico, pois se trata de uma disciplina holística que integra a mente, o corpo e o espírito. Afirma também, que Pilates “é uma filosofia de atividades que provoca a integração física e mental” (2004, p.7).

Sobre a indivisibilidade do ser humano, Pilates evoca que em sua época, não havia um código padrão para medir e indicar o que realmente seria a saúde psicológica. Todavia, julgou que o equilíbrio corpo-mente era um fator indispensável para a promoção da saúde e da felicidade (1998).

Em vista disso, ao associar diversos saberes, o método desenvolvido pelo próprio Pilates, deriva da visão de um estilo de vida ideal, obtido com o equilíbrio físico, mental e espiritual. Ele entende que por meio da visualização, da força física e do alongamento corporal, o vigor mental e melhor circulação sanguínea chegam às células cerebrais inativas. Afirma ainda, que esse espírito renovado de pensamento e movimento é o primeiro passo para a redução do estresse, para a elegância de movimentos, para a alegria e para a maior capacidade de aproveitar a vida (SILER, 2008).

Nesse processo de integração, a reflexão sobre a Abordagem Psicossomática e o Método Pilates procura despertar novos sentidos e aguçar novas percepções para uma sistemática de conceitos com sentidos que convergem a focos comuns. Este fato torna-se compatível, justamente quando a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade despontam como alternativas aliadas a diversos campos de conhecimentos, buscando enriquecer a compreensão do que se articula internamente quando se movimenta o corpo.

Refutamos o pensar que os princípios do Método Pilates se apliquem apenas a sua prática em estúdio. Certamente podemos estendê-lo para a ginástica, a musculação, às atividades da vida cotidiana como estudar, dançar, limpar e namorar, sempre em busca da melhor qualidade de vida. Seguramente, os princípios do método podem ser empregados a qualquer movimento que fizermos, buscando “coordenar corpo, mente e espírito para desenvolver o corpo uniforme, corrigir posturas erradas, restaurar a vitalidade física, revigorar a mente e elevar o espírito” (BOSANELLO, 2008, p.320).

Pensando numa prática integradora, o Método Pilates indissociável dos princípios fundamentais, relaciona-se com a concepção de movimentar o corpo visando à recuperação, a manutenção e a promoção da saúde. Por isso, o presente trabalho norteou uma linguagem única, onde as considerações do Método Pilates interagem com o movimento psicossomático. Nesse caso, esse diálogo se dá em função da psicossomática não se tratar de uma mera especialidade e sim, de um intercâmbio entre as diferentes áreas do saber e do fazer, as quais percebem o humano integral.

Por isso, ao finalizar este artigo, acreditamos ter abarcado um pouco de conhecimento sobre o Método Pilates, como um exercício psicossomático e sugerindo, dessa forma que se ampliem pesquisas sobre os benefícios dessa técnica, que ainda é pouco difundida academicamente no nosso país.

Enviado pela leitora Luciani Lima

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