Matéria - Abordagem Psicossomática 2

O Método Pilates como uma abordagem Psicossomática (Parte II)

Ainda hoje, infelizmente, no padrão social do movimento, têm predominado a rigidez, a disciplina e a prioridade de performance, sem de fato, ocorrer a preocupação com o ser humano na sua integralidade. Montagu (1988) relata que, por muitas vezes, ainda somos tratados como um corpo-objeto, não reconhecidos como uma unidade humana. Por conseguinte, o autor ainda afirma que não podemos deixar de refletir sobre os aspectos socioculturais incrustados ao corpo humano, onde as normas sociais interferem na expressão dos nossos sentimentos e favorecem a cultura física dos músculos, sem se preocupar com os sentimentos, as sensações e as percepções peculiares a cada indivíduo.

Siler (2008) reforça que vivemos em uma época na qual a indústria da boa forma tenta superar a si mesma para criar tendências inovadoras. Ela aponta que o Método Pilates – a arte do controle e equilíbrio do corpo-mente-espirito, com mais de nove décadas de sucesso – destaca-se como um método de condicionamento físico que amplia a capacidade dos movimentos, aumenta a força, o equilíbrio muscular e a consciência corporal. A essência desse método, segundo Siler, concentra-se em focar mente e corpo para trabalharem juntos, ou seja, tomar consciência do corpo como parte integrante da mente criativa.

Embora Pilates tenha nascido em outros tempos, ele presumiu as pressões físicas e mentais provocadas por uma agenda cheia. Tentou, dessa forma, reeducar-nos para trabalhar o corpo tendo em mente a eficiência do desempenho das tarefas diárias, pois acreditava que seu método tornaria as pessoas mais produtivas tanto mental quanto fisicamente (URLA, 2005).

Nesse sentido, a transformação dos exercícios criados por Joseph Pilates se tornou mais acentuada com sua expansão, passando a sofrer influência de outros campos de conhecimento da educação somática (a exemplo de Feldenkrais, Alexander e Laban-Bartenieff) e também da fisioterapia, propondo, dessa forma, clara tendência a novas abordagens e à introdução de novos princípios. Contudo, sem perder a estrutura dos saberes, que visam o desenvolvimento da consciência corporal e a reeducação dos movimentos (BOLSANELLO, 2008; SILER, 2008).

Outras preocupações, de acordo com Camarão (2004), se incorporaram ao ensino do método, como o respeito às curvas fisiológicas da coluna vertebral, ausente no método original. Também, se ampliou o conceito de power house – casa do poder – que além da musculatura abdominal e lombar, hoje tende a incorporar o diafragma, o assoalho pélvico e a musculatura adutora e abdutora do quadril.

O Método Pilates busca a visão de unidade do homem, de modo que ele não seja visto apenas como um objeto científico, um conjunto de órgãos, músculos e ossos, uma vez que o homem é um ser com sentimentos, pensamentos e ações. Os movimentos realizados durante uma sessão de Pilates são portadores de um sentido para o aluno, esse se conscientiza das transformações e benefícios que ocorrem durante cada movimento, quando o instrutor procura transmitir a característica lúdica e prazerosa, sem extrapolar os limites naturais dos movimentos.

Além disso, Muscolino e Cipriani (2004) retomam que o Método Pilates é fundamentado em alguns saberes da cultura oriental, sobretudo relacionado às noções de concentração, equilíbrio, percepção, controle corporal e flexibilidade. Por isso, Pilates e Miller (1998, p.9) citados por Panelli e Marco (2006, p.30), descrevem que a Contrologia, nome original do Método Pilates, “é a completa coordenação de corpo, mente e espírito”. Ou seja, é a aquisição do controle do próprio corpo, que se dá, segundo Siler, mediante o entendimento da filosofia do método (2008).

Dessa forma, Curi (2009), afirma que o primeiro pilar do Método Pilates é fundamentado no fortalecimento do centro de força – power house - pois ele é a estrutura que suporta e reforça o resto do corpo e, o segundo pilar é o emprego dos princípios básicos e fundamentais da concentração, do controle, do centro, da fluidez, da respiração e da precisão.

O princípio da concentração, de acordo com Rodriguez (2007), enfoca os movimentos corretos, centra a mente para permanecer no “aqui e agora”, sem dar lugar à dispersão, ou seja, com a devida concentração os movimentos são armazenados no subconsciente e refinados durante sua prática.

Panelli e Marco citam que para o princípio da centralização, Pilates denominou o power house como sendo o ponto vital do controle corporal. Nomeou um componente funcional e imaginário que envolve os diferentes grupos musculares do cotovelo aos joelhos (que compreende a musculatura abdominal; do assoalho pélvico; psoas; extensores da lombar; glúteos e coxa). O fortalecimento desses grupos musculares proporciona a estabilização do tronco e um alinhamento biomecânico com menor gasto energético dos movimentos (2006).

Em relação ao princípio da respiração, Graig (2004) retoma a fala de Pilates onde afirma que freqüentemente respiramos errado e, por esse motivo, enfatiza a respiração como fator primordial no início do movimento. Robinson e Napper complementam que “todos os exercícios do método são cuidadosamente elaborados para reforçar e estimular a ativação correta do músculo, por meio de uma respiração igualmente correta” (2002 p.27).

De um ponto de vista psicológico, a respiração utilizada no Método Pilates também possui uma função relaxante, porque, além de o cérebro receber uma quantidade maior de oxigênio, a mente e o corpo também trabalham com mais energia e calma, em função do respirar mais controlado e profundo. “Respiramos desde o primeiro instante em que chegamos ao mundo e é o último suspiro quem nos despede” (RODRIGUEZ, 2007, p.21).

Enviado pela leitora Luciani Lima

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3 thoughts on “O Método Pilates como uma abordagem Psicossomática (Parte II)”

  1. Á tempos venho tentando saber o que realmente é “Pilates”, li alguns artigos, e revistas mas sempre achei mei zen demais pra mim. Trabalho na area da tecnologia e, como meus colegas, não sou do tipo muito esportivo. Então procuro outras alternativas menos abrasivas e que tenham resultados positivos. Este artigo, muito bem redigido, foi extremamente claro e simples e deu a dimensão exata do propósito deste método, o que me interessou muito. Achei meu esporte.

  2. Aquaryus,
    Certamente fico satisfeita em estar alcançando meu objeto… Sendo, nesse caso, apresentar o método, ser entendida e, além disso, provocar o leitor a aventurar-se no “movimento uníssono” que propõe o Metódo Pilates.
    Att.

  3. Adorei o artigo, esclarecedor e objetivo, um convite a aventurar-se no Pilates o que para muitos ainda é uma novidade.

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