Pilates: cuidados e atenção na prática são fundamentais

Há cerca de dois anos, pouca gente imaginava o que era pilates. Ao deparar com as camas altas articuladas por molas, desavisados poderiam supor que entravam em réplicas de salas de tortura. Hoje, de pequenos estúdios a grandes academias, o método criado pelo alemão Joseph Pilates está em toda parte, respondendo à demanda de uma legião de praticantes interessados nos benefícios alardeados pela imprensa e pelo boca a boca.

Infelizmente, além de profissionais bem formados, a explosão do pilates deu espaço, também, para pessoas que viram no método apenas um bom filão e, sem a devida capacitação, acabam expondo os alunos a sérios riscos para a saúde. Um trabalho mal orientado pode gerar lesões gravíssimas. Pilates não é malhação e exige um trabalho de conscientização corporal muito sério.

A prática une movimentos de solo e nos aparelhos, em que força e flexibilidade são exercitadas simultaneamente. O foco mais intenso do trabalho é o fortalecimento do tronco e do abdome, centro do corpo. Entre os principais efeitos do método estão o ganho de força muscular, o alongamento e a flexibilidade. A prática também traz excelentes resultados na recuperação de movimentos de pessoas com problemas de coluna ou alívio para lesões musculares, por exemplo.

A fisioterapeuta Mariane Mendonça melhorou das dores na coluna, e recomenda a prática para seus pacientes. Foi o pilates que melhorou as dores lombares do economista João Felipe Prado, de 56 anos, adquiridas na musculação. Por falta de orientação durante a prática dos exercícios, Prado comprimiu alguns discos da coluna. Fui a vários especialistas, entre eles três ortopedistas diferentes. Fiz shiatsu, acupuntura e RPG, mas nada funcionava. Só na segunda tentativa com o pilates, sob a orientação da fisioterapeuta Adriana Heineman, teve o alívio que procurava. Sinto-me outra pessoa. Hoje, corro 8km antes das sessões de pilates, conta. Recentemente, Prado passou por uma cirurgia no ombro. Em vez da fisioterapia, optou pelo pilates e teve uma ótima recuperação.

O ator Sérgio Marone também é fã de carteirinha das aulas de pilates. Com 1,93m de altura, Marone procurou a técnica porque vivia com dores na coluna e nos joelhos. Descobriu que a prática regular diminuía sua ansiedade nos palcos, melhorava capacidade respiratória e o deixava mais equilibrado. É um exercício inteligente, que deixa a musculatura muito mais bonita do que outros exercícios, acredita. Como os movimentos mexem com fibras musculares muito internas, mesmo quando é preciso interromper as aulas a musculatura se mantém definida. Recentemente, Marone machucou o joelho durante uma apresentação de teatro.

Rompi ligamentos e morri de medo de ter que operar. Acabei me tratando com fisioterapia e pilates, e hoje meu joelho voltou ao normal, conta ele, que pratica uma vez por semana. Acho o pilates tão prazeroso que nem considero aula, é um momento que encontro para relaxar, revela.

Bem feito, o pilates é o céu. Mas também pode ser o inferno, já que os danos possíveis são inúmeros. Para evitar que o aluno se machuque, é fundamental um minucioso alinhamento postural a cada movimento, explica a professora de pilates Ane Benati, formada em Educação Física.

A aposentada Neide Miranda Rila, 64, descobriu a dolorosa diferença entre um pilates bem orientado de um trabalho menos cuidadoso. Neide iniciou a prática por causa de um desvio na bacia e um início de artrose e, durante um ano, sentiu-se ótima fazendo aulas específicas para sua idade e seus problemas de saúde.

Quando seu professor mudou de academia, a aposentada resolveu experimentar um estúdio próximo a sua casa. Logo nas primeiras aulas vi que eu sabia mais do que o professor. Ficava insegura vendo os instrutores estudando nos intervalos das aulas, lembra ela, que chegou a ter a atenção chamada quando fez um rolamento ensinado pelo antigo professor. O dono da academia disse que eu não podia fazer aquilo porque se os outros alunos quisessem aprender, eles não saberiam ensinar. Mesmo assim, ela insistiu nas aulas no local e começou a sentir as antigas dores na bacia e nas articulações. Ficaram tão insuportáveis que comecei a tomar remédio. Não conseguia nem dormir direito. Segundo Neide, outros alunos sentiam dores e não recebiam nenhuma explicação dos professores. Por fim, a aposentada brigou com o dono do estúdio e voltou para o antigo professor. Um mês após o retorno, as dores já haviam melhorado. Mas para reverter o estrago, foram mais de seis meses de trabalho intenso.

Para evitar este tipo de mau uso, que pode pôr em xeque a credibilidade da técnica, grupos começam a se organizar para exigir capacitação e assegurar fiscalização dos pequenos espaços que pipocam a cada dia pelo país. A intenção é mapear os estúdios e avaliar os certificados de pilates existentes no Brasil, priorizando aqueles com amparo de instituições internacionais. No Rio, em São Paulo e em Salvador, estão em vias de legalização as primeiras associações locais de professores de pilates. A falta de qualquer regulamentação da técnica até agora vem gerando uma verdadeira guerra política entre conselhos de classe. Alguns Conselhos Regionais de Educação Física, como o da Bahia, já começaram a fiscalizar estúdios, com o objetivo de multar locais que não tenham um professor de educação física responsável. Entendemos que, entre outras coisas, o método busca o condicionamento físico e, como tal, precisa ser orientado por um profissional da educação física, diz Jorge Steinhilber, presidente do Conselho Federal de Educação Física (Confef). A técnica trabalha numa área de interseção entre a educação física e a fisioterapia, e foi popularizada no mundo, e também no Brasil por bailarinos, rebate a vice-presidente do Conselho Federal de Fisioterapia, Ana Cristina Brasil. Esta semana, profissionais de formações variadas, como fisioterapia e dança, que fizeram especialização na técnica e querem ver assegurado seu direito de trabalhar com ela, tiveram uma vitória importante: a Comissão de Educação da Câmara aprovou projeto que exclui do âmbito de fiscalização do Confef os profissionais de dança, artes marciais, ioga, capoeira e pilates. Existem vários tipos de pilates, com objetivos como consciência corporal, condicionamento físico e reabilitação. Mas não há como separar totalmente onde acaba uma coisa e começa outra, o que muda é a ênfase, aponta o professor de educação física e fisioterapeuta Pedro de Melo Franco.

Ao buscar alívio para seus problemas de postura, a fisioterapeuta Mariane Mendonça, 29, encontrou também um corpo mais vigoroso, e venceu o sedentarismo.

Massagista e especialista em RPG, Mariane estava cansada de terminar o expediente com dores nos ombros, nas costas e nas articulações. Não freqüentava a academia há mais de cinco anos, e vivia cansada. Meu condicionamento físico era zero e, como meu trabalho exige força, eu acabava o dia com uma sensação de fraqueza, conta Mariane, que resolveu experimentar o pilates e começou a ver seu corpo mudar gradativamente para melhor. A transformação mais significativa aconteceu na sua coluna, que vivia dolorida por causa das exigências do trabalho. Tinha uma leve cifose, que melhorou com os exercícios. A consciência corporal que se ganha é muito boa, e sinto que movimento o corpo de forma diferente. Segundo a fisioterapeuta, dependendo do objetivo, dá para sentir diferença no corpo após a primeira sessão. Outros benefícios observados por ela foram o aumento da flexibilidade e uma resistência física maior. Hoje, quando dou alta aos meus pacientes, recomendo o pilates como forma de manter o corpo equilibrado.

Quando bem orientado, portanto, o pilates merece toda a fama que tem. Vão-se as dores, ficam os músculos, trabalhados e sadios.

O corpo agradece.

Pratique com segurança:

· Descubra se seu professor é habilitado para dar aulas de pilates
· Observe se as turmas são pequenas – a atenção durante a prática deve ser quase individual
· Relate qualquer problema de saúde para seu professor
· Se você sofre da coluna, procure orientação médica antes de iniciar a prática
· Vá com calma no começo. Respeite seus limites
· Fique atento ao seu corpo. Na dúvida, pare
 

Fonte: Jornal do Brasil – Suplemento Vida

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